Brasília-DF,
16/DEZ/2017

"Temos o dever de discutir política, mesmo em telenovelas", diz a atriz Bruna Linzmeyer

Em entrevista exclusiva ao Correio, Bruna Linzmeyer se despede de Juliana, personagem na novela Meu pedacinho de chão

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Rebeca Oliveira Publicação:27/07/2014 15:18Atualização:27/07/2014 15:20

 (Estevam Avellar/TV Globo)

Na reta final, a novela Meu pedacinho de chão foi um gostoso desafio à protagonista Bruna Linzmeyer. A professora Juliana fez rápida passagem por Brasília em um evento para noivas, estampando o cabelo rosa que fez ser reconhecida de longe. Em conversa com o Correio, ela fala sobre carreira e o folhetim, que fez sucesso pela narrativa, figurino e cenografia diferenciadas, com ares de realismo fantástico.

Exibida pela primeira vez em 1971, Meu pedacinho de chão é de autoria de Benedito Ruy Barbosa e, no remake, recebe a direção de Luiz Fernando Carvalho. Temas como corrupção, coronelismo e problemas sócioeducacionais no País, que foram explorados no folhetim em plena Ditadura Militar, voltaram à tona. “No Brasil, a tevê ocupa um papel informativo e social inquestionável, temos o dever de discutir política, mesmo em telenovelas. Temos o dever de colocar essas questões na tela! Ainda mais se tratando da educação, onde há muitas questões a se debater”, afirma Linzmeyer.

ENTREVISTA // Bruna Linzmeyer

Você tingiu o cabelo de rosa para dar mais veracidade a professora Juliana, do folhetim Meu pedacinho de chão. Até onde iria por um personagem?

Eu faria absolutamente tudo. Não imagino nada que eu não faria por um personagem. Se é uma questão artística, não consigo ver um limite, desde que, claro, haja um respeito ético pelo meu corpo e alma, e pela sociedade.

Tem preferência por personagens que possuam maior carga dramática, como Linda, de Amor à vida?

Sempre desejo a profundidade, trabalhos que me desafiem, que me transformem, que eu olhe e fale, em desespero: eu não sei fazer isso! Eu preciso entrar em desespero, mas o desespero artístico, de inventar algo novo. Que não saiba aonde vou parar e que seja em qualquer lugar possível, desde que eu saia do comum. A carga de drama ou não independe do personagem, depende de como você vai lidar com ele.

A novela, mesmo com tom lúdico e multicolorido, tece críticas a problemas educacionais em nosso país. Como vê esse casamento entre o entretenimento de massa e crítica social?
Acho essencial. No Brasil, a tevê ocupa um papel informativo e social inquestionável, temos o dever de discutir política, mesmo em telenovelas. Temos o dever de colocar essas questões na tela! Ainda mais se tratando da educação, onde há muitas questões a se debater. Um exemplo é a forma como ensinamos a ler e escrever. Uma criança não é um papel em branco! Ela tem uma história, tem sensibilidade, amor, ela olha para as letras e vê as coisas. Os educadores precisam respeitar isso. Outra questão é a valorização do professor em relação ao salário. Um professor não ganha mais de R$ 4 mil reais por mês, isso é um absurdo. Fiz laboratório e continuo visitando escolas para entender de perto essa realidade.

Aliás, neste ano tão emblemático para o Brasil, você pretende se posicionar e se engajar politicamente?
Eu sou engajada como cidadã, sou preocupada com o meu país. Estamos vivendo um momento muito importante, tem muita coisa acontecendo. É curioso as eleições coincidirem em um ano de Copa do Mundo, quando está tudo muito à flor da pele. Vejo o que está acontecendo mas não vou defender um lado ou outro publicamente. Mas estou aqui, viva, participei das manifestações do ano passado e quero me relacionar com isso. Não posso me associar a partidos ou coisa mais sérias, porque aí, teria que comunicar a Rede Globo.

Você começou a carreira com uma personagem (Tatiana, da série Afinal, o que querem as mulheres?) com alta carga sensual. Não teve medo do estereótipo “gostosona” da tevê?
De maneira nenhuma, faz parte da profissão. Acho lindo que as pessoas a minha volta me deem oportunidade de fazer esses trabalhos tão diversos. Personagens extremamente sensuais não me preocupam: eu sou jovem, tenho meu corpo no lugar. Mas quero fazer trabalhos diferentes que não esteja relacionado com meu corpo, ou que ele não esteja em primeiro plano.

Como foi a transição da carreira de modelo para a de atriz?
Nunca fui modelo. Fui morar em São áulo para terminar o 3º ano e tentar ganhar algum dinheiro com comerciais, mas isso nunca aconteceu. Comecei a carreira profissional quando fiz meu primeiro trabalho como atriz.

Sempre teve o desejo de atuar?
Na verdade, não. Eu fui descobrindo quando vim para São Paulo. Eu estudava justamente para descobrir isso. Quando trabalhei com o Luiz Fernando, pude ter certeza que era o caminho que queria seguir.

Aos 21 anos, você acumula experiências diferentes das que garotas da sua idade costumam ter. Acha que já atingiu a maturidade?
Meus pais me deram a oportunidade de sair de casa cedo, estudar, e poder fazer algo com minhas próprias pernas. Não sei se sou tão madura assim, tenho os dois lados: a criança e a velha, juntos e misturados.

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