Brasília-DF,
05/JUN/2020

Sassá Mutema conquistou público com o jeito simples e o amor pela professorinha

Um dos personagens mais icônicos de Lima Duarte na novela a O salvador da pátria

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Ataide de Almeida Jr. Publicação:11/01/2015 07:50Atualização:09/01/2015 12:08
A ingenuidade e a honestidade de Sassá Mutema ganharam o público (TV Globo/Reprodução)
A ingenuidade e a honestidade de Sassá Mutema ganharam o público

Com mais de 60 anos de carreira é difícil destacar quais são os personagens mais marcantes da carreira de Lima Duarte. Desde Zeca Diabo, em O bem-amado, passando por Salviano Lisboa, da primeira exibição de Pecado capital, até Afonso Lambertini, de Da cor do pecado. Cada um tinha uma característica própria e era interpretado com maestria. No entanto, é impossível deixar de falar de Sassá Mutema (ou Salvador da Silva, nome real do personagem), da novela O salvador da pátria.

O folhetim foi exibido pela Globo entre 9 de janeiro e 11 de agosto de 1989. Além de ter Lima Duarte como protagonista, a trama trazia Maitê Proença, Francisco Cuoco, Betty Faria, José Wilker, Susana Vieira e Lúcia Veríssimo no elenco. A trama contava a história de um deputado federal que, para desviar a atenção de um adultério, faz com que Sassá Mutema se case com a amante. No entanto, ela é assassinada e Sassá vira o principal suspeito. Ao ser inocentado, ele acaba virando uma espécie de celebridade e vários políticos tentam manipulá-lo para colocá-lo no poder.

O que levou Sassá a conquistar o público foi uma união de jeitos do então bóia-fria. A fala arrastada, a falta de estudo, o jeito manso, a roupa velha, o chapéu de feltro, o grande bigode e, claro, muita ingenuidade retratavam, na época, uma boa parcela da população. E como esquecer da paixão dele pela professorinha Clotilde, vivida por Maitê Proença. Na cena em que ele declara o amor a ela, uma frase ficou marcada: “Dona Clotilde, escuta, tudo o que eu tenho é seu. Eu não tenho nada, só minha vida. E ela é sua. Eu sou seu”.



Durante a trama, Sassá sofre uma reviravolta e mostrou um outro lado, que conquistou ainda mais o público. O personagem passou de homem simples a político honesto, o que mostrou que era possível subir na vida com dignidade. Uma das última frases de Sassá Mutema na novela foi épica: “Não sou o salvador da pátria porque uma pátria que se preza, que tem a sua dignidade, não precisa de salvadores. Quem salva a pátria é o povo. Vamos salvar a pátria!”.

Sucessos

Sucesso
A novela foi sucesso de audiência aqui e em outras partes do mundo. No Brasil, ela conseguiu manter praticamente os mesmos índices de Vale tudo, a antecessora, passando a ficar um longo tempo na top 10 dos folhetins mais assistidos da emissora. Alguns países, como Portugal, adotaram o nome do protagonista, Sassá Mutema, para a novela.

Política
Durante a reinauguração do Núcleo de Pesquisa de Telenovela da Universidade São Paulo (USP), o autor da novela, Lauro César Muniz, disse que ocorreu uma interferência direta de políticos em Brasília na trama. Algumas pessoas que estavam no poder consideraram o personagem como fazendo apologia ao então candidato Luis Inácio Lula da Silva, que concorria à Presidência com Fernando Collor. Segundo Muniz, foi preciso abandonar em partes a história política e focar na policial.

Trilha
Segundo o livro Teletema — A história da música popular através da teledramaturgia brasileira, o produtor Sérgio de Carvalho conseguiu colocar quatro músicas nas paradas de sucesso. Uma delas foi o tema de amor entre Sassá Mutema e Clotilde, Lua e flor, de Oswaldo Montenegro.

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