Brasília-DF,
20/SET/2017

Personagem Velha Surda, da A praça é nossa, era um dos destaques do programa

Um dos personagens mais marcantes de fez muita gente rir ao não escutar direito e fazer interpretações erradas das conversas

Diminuir Fonte Aumentar Fonte Imprimir Corrigir Notícia Enviar
Ataide de Almeida Jr. Publicação:17/05/2015 08:00
 (TV Globo/Reprodução)

Bizantina Escatamáquia Pinto. Talvez por esse nome você não se lembre de uma das mais icônicas personagens da tevê aberta brasileira. No entanto, quando se passa a chamá-la de Velha Surda, aposto que várias memórias vêm à mente. Na mesma praça, no mesmo banco e por mais de 40 anos, essa senhora que não ouvia muito bem fez a alegria daqueles que assistiram a A praça da alegria, nas TVs Record (1964) e Globo (1977), e, depois, a A praça é nossa, no SBT (1987).

A personagem foi criada pelo humorista Ronald Leite Rios, mais conhecido como Rony Rios, e apresentada pela primeira vez no programa A praça da alegria, comandado por Manoel de Nóbrega. A atuação da Velha Surda seguia sempre um padrão: ela chegava de mansinho e despencava no banco ao lado do apresentador. Ao lado deles, havia o Apolônio — tipo criado pelo ator Viana Júnior —, que, assim como Manoel, estava na praça apenas para ler o jornal. A senhora, então, puxava assunto com Apolônio que, educadamente, respondia às questões. No entanto, por causa da deficiência auditiva, Bizantina trocava as palavras ditas por ele, o que rendia situações engraçadas.

Quando se mudou para A praça é nossa, já no SBT, a personagem ganhou uma nova caracterização — aquela que a deixou famosa — com um casaco marrom e uma peruca mais grisalha, além de uma maquiagem que definia as rugas. Apolônio a acompanhou, mas, às vezes, era substituído por artistas da casa ou cantores, como Jair Rodrigues e Angélica. Uma das cenas mais lembradas é quando a Velha Surda se encontra com Sidney Magal. Ela o confunde com a namorada de Apolônio e em um dos diálogos, troca Magal por bacanal: “Vocês se conheceram num bacanal?”.

Em entrevistas, o humorista se dizia grato pelo sucesso da Velha Surda, que realmente impulsionou a carreira, mas lembra que criou outros tipos para a televisão. Para uma emissora local de São Paulo, Rony disse: “De uma certa forma, ela (a Velha Surda) estigmatizou a minha carreira, mas eu tenho outros personagens”. Bizantina foi interpretada por Rony até os anos 2000. Em 2001, no entanto, o ator morreu vítima de complicações de um câncer linfático, aos 64 anos.

Saiba mais

Personagens
Além da Velha Surda, Rony Rios deu vida a outros personagens memoráveis em A praça é nossa. Como se
esquecer de Philadelpho, que repetia: “Meu nome é Philadelpho, com dois ph, um antes do fi, outro antes do fó”? Havia, ainda, o Explicadinho, que queria que tudo fosse explicado “nos mínimos detalhes”.

Televisão
Rony Rios foi parar na televisão por acaso. O jovem fazia faculdade de medicina quando conheceu o roteirista e diretor Max Nunes e foi convidado para integrar o elenco de uma peça de teatro. Com o sucesso, Rony teve que largar a medicina. De lá, foi para o teatro de revista, apresentado na TV Record. Com uma crise na emissora, o ator decidiu largar a carreira e se formou médico veterinário. Logo depois, foi chamado para participar de A praça é nossa, onde deslanchou a carreira. Antes de morrer, Rony foi também presidente do Sindicato dos Artistas.

“Nova” Velha
No ano passado, Carlos Alberto de Nóbrega, responsável por A praça é nossa, anunciou o retorno da Velha Surda. O personagem ficaria a cargo de Ronaldo Ciambroni, que já havia feito uma outra senhora na atração. À época, em entrevista ao programa Mulheres, Carlos Alberto disse: “Ronaldo não fará a que o Rony fazia, mas será uma velha que vai funcionar bem”. No entanto, até hoje Ciambroni não apareceu na telinha.

COMENTÁRIOS

Os comentários são de responsabilidade exclusiva dos autores.

CINEMA

TODOS OS FILMES [+]

BARES E RESTAURANTES

EVENTOS






OK