Brasília-DF,
23/SET/2017

Diretores nacionais assinam novos sucessos nas telinhas

Séries O hipnotizador e Narcos trazem visões de diretores nacionais para temas como hipnose e tráfico de drogas

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Adriana Izel Publicação:23/08/2015 08:00Atualização:21/08/2015 15:34

Cena da 1ªtemporada da série Narcos, série da Netflix, com direção de José Padilha (Daniel Daza/Divulgação)
Cena da 1ªtemporada da série Narcos, série da Netflix, com direção de José Padilha

Agosto se tornou um mês de bastante expectativa para dois diretores brasileiros: José Eduardo Belmonte e José Padilha. A dupla, que é mais conhecida pelos trabalhos no cinema, a partir deste período, começará a ser lembrada também por produções televisivas.

Belmonte, que está em cartaz na telona com O gorila, verá sua nova empreitada no ar a partir de hoje, às 21h, na HBO. É a série O hipnotizador, uma produção brasileira em que ele dirige em parceria com Alex Gabassi.

Padilha, famoso pela franquia Tropa de elite, estreia em produções televisivas quando Narcos estiver disponível na Netflix. Os 10 episódios serão divulgados em 28 de agosto na plataforma. O diferencial é que a série dirigida pelo brasileiro, na verdade, é uma produção internacional, com brasileiros, latinos e norte-americanos no elenco.

Hipnose em foco

 

HCenas da primeira temporada da série O hipnotizador, da HBO (HBO/Divulgação)
HCenas da primeira temporada da série O hipnotizador, da HBO
 

O hipnotizador, de Belmonte, estreia hoje na HBO. A trama é inspirada na história em quadrinhos cult argentina homônima, de Pablo de Santis. A série gira em torno do personagem Arenas, vivido pelo argentino Leonardo Sbaraglia, um hipnotizador com passado enigmático e que usa seu dom para resolver problemas dos outros, apesar de não conseguir solucionar os próprios. A técnica consiste em adormecer as pessoas para desenterrar recordações do passado de suas memórias.

“Sabe-se muito pouco sobre ele. Aos poucos, vão se revelando informações sobre o seu passado, como em um quebra-cabeças. Por conta da hipnose, ele não pode dormir, não consegue descansar. É um momento que ele se encontra com seus ‘demônios’”, explica Sbaraglia em entrevista ao Correio.

Arenas vive em um hotel, onde também está outro hipnotizador Darek (Chico Diaz), que é uma espécie de rival dele ao condená-lo a uma insônia eterna. “O Darek tem uma relação invejosa com Arenas. Num passado não tão remoto, eles foram colegas. Mas, agora, eles são rivais e disputam algo que ainda não posso contar”, faz mistério Diaz.

Além da dupla, a série ainda conta com outros personagens, como Anita, interpretada por Bianca Comparato, e Lívia, vivida por Juliana Didone. “A Anita tem uma relação platônica com

Salinero (Cesar Troncoso). Acho que, em uma série misteriosa e sombria, ela é um respiro, por ter esse ar de sonhadora”, defende Bianca. Já Juliana define sua personagem como uma mulher em conflito e apaixonada por Arenas.

E a hipnose?

Leonardo Sbaraglia e Chico Diaz dão vida aos dois hipnotizadores da série. O primeiro, Arenas, tem um ar mais de curandeiro, enquanto Darek é mais científico. “Eles são dois tipos diferentes de hipnotizadores”, explica Sbaraglia. Os atores contaram ao Correio que não chegaram a aprender a técnica de hipnose, apesar de se aprofundarem em estudos, filmes, séries e tudo relacionado ao universo. “Não experimentei, mas fiquei encantado com essa possibilidade e esse campo profundo do inconsciente”, comenta Diaz.

Tráfico de drogas

“A história da origem do narcotráfico”. É assim que o ator baiano Wagner Moura tem explicado a série Narcos, que estreia em 28 de agosto, na Netflix. “Zé Padilha é um diretor que sempre tenta entender uma realidade. A ideia da série é justamente essa. Mas não tinha como apresentar o narcotráfico sem falar de Pablo Escobar”, afirma ao Correio.

 (Daniel Daza/Netflix)
É por isso que o colombiano Pablo Escobar, morto em 1993, está em Narcos. O emblemático personagem é vivido pelo brasileiro Wagner Moura, em um convite feito pelo amigo Padilha, com quem ele trabalhou em Tropa de elite. Para se caracterizar, Wagner se mudou para Medellín, aprendeu espanhol (do zero) e engordou 20kg.

“Na preparação, foi fundamental eu ter tido muito tempo. Comecei a me organizar antes mesmo de a Netflix me contratar. Pablo é um personagem muito importante para o bem e para o mal. A Colômbia é dividida em antes e depois dele. A minha preocupação era de que a história fosse contada com ética e mostrasse a representatividade dele”, comenta o ator.

Por não ser uma história especificamente sobre Escobar — mas que tem o traficante como protagonista —, a série começa com a narração do agente Steve Murphy, interpretado pelo ator estadunidense Boyd Holbrook. O personagem viu sua vida mudar depois que foi para a Colômbia tentar destruir o cartel de Medellín, chefiado por Pablo Escobar e que era responsável por abastecer os Estados Unidos de drogas. A partir daí, Steve começa a narrar sua história e, consequentemente, o início do colombiano Pablo Escobar, que tinha uma frota de táxis, no tráfico de drogas.

Ares latinos

Apesar de ser uma produção nacional, a série foi gravada no Uruguai e tem no elenco vários artistas latinos, como protagonista Leonardo Sbaraglia e o uruguaio Cesar Troncoso (foto). Entre os argentinos estão Marilú Marini, como Domingas; e Chino Darín, como Gregório.

A uruguaia Stefanie Neukirch é Margarida e o espanhol Zemanuel Piñero interpreta Suarez.

Duas perguntas Wagner Moura

Em Narcos, é possível ter uma relação de amor e ódio por Pablo Escobar, assim como ocorria na vida real. Como foi construir um personagem com uma índole duvidosa?

Acho que é da natureza e do trabalho do ator dar o máximo de humanidade ao personagem, sem julgar. Escobar foi uma das pessoas mais malvadas e terríveis, mas eu não podia começar uma aproximação pensando nisso. Como ator, é preciso pensar que aquela pessoa, antes de tudo, é um ser humano. E Pablo Escobar é um personagem muito interessante, pelo fato de que ele era um homem apaixonado pela família, era carismático, tinha um discurso populista e, mesmo assim, era mau. Então é natural que as pessoas tenham uma simpatia por ele.

Como foi gravar uma série totalmente globalizada (narrada em inglês, falada em espanhol e com alguns brasileiros no elenco)?

Foi maravilhoso. Isso respondeu pela primeira vez essa coisa que o brasileiro tem de isolamento cultural em relação aos países da América Latina. Porque nós consumimos nossa própria cultura e o que vem de fora normalmente é norte-americano. A gente não sabe o que acontece na América Latina. Nós não nos sentimos latino-americanos e essa série me colocou num lugar de sentir que eu pertencia a algo maior do que ser só brasileiro, por estar trabalhando com pessoas de vários lugares da América Latina. Eu nunca senti que estava contando uma história só da Colômbia.

SERVIÇO


O hipnotizador
Domingo, às 21h, na HBO. Disponível também na HBO Go.

Narcos

Disponível no Netflix a partir do dia 28 de agosto.

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