Brasília-DF,
22/SET/2017

Morte súbita de Jardel mudou os rumos de 'Sol de verão' em 1982

Sol de verão marcou a consagração de Manoel Carlos como cronista da sociedade e a despedida de Jardel Filho do público

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Vinicius Nader Publicação:26/06/2016 06:00Atualização:27/06/2016 09:29

Jardel Filho e Irene Ravache, em 'Sol de verão' (Reprodução/Internet)
Jardel Filho e Irene Ravache, em 'Sol de verão'
 

 

Exibida na faixa das 20h entre outubro de 1982 e março de 1983, Sol de verão era o reencontro do autor Manoel Carlos com o público depois de Baila comigo. Era também a consagração de um estilo que o dramaturgo segue até hoje em suas produções: a de fazer, por meio do Rio de Janeiro, uma espécie de crônica da sociedade brasileira.


A ideia de Sol de verão surgiu durante uma festa de revéillon. Manoel Carlos e o ator Jardel Filho conversavam sobre um espetáculo de teatro que Manoel escreveria especialmente para Jardel estrelar. O bate papo evoluiu para a sinopse de Sol de verão e o novelista fez questão de ter o ator à frente do elenco.

 

Jardel viveu o mecânico e dono de oficina mecânica Heitor. Ele e Rachel (Irene Ravache) tiveram um polêmico relacionamento. Como acontece na maioria das tramas de Manoel Carlos, Rachel era uma mulher à frente do tempo dela. Ela larga o marido, Virgílio (Cécil Thiré), por estar infeliz no casamento, se muda de Petrópolis para o Rio de Janeiro levando a filha Clara (Débora Bloch) e se apaixona por Heitor, enfrentando preconceitos da mãe, Laura (Beatriz Segall), dos amigos e dela própria.

 

Em outro núcleo, quem chamava a atenção era Tony Ramos na pele de Abel, que ficou surdo-mudo depois de ter meningite na infância. O rapaz foi abonado pelo pai aos 18 anos e não sabe quem é a mãe. Ele é alvo da disputa amorosa entre Clara e Olívia (Carla Camurati) e termina a novela se casando com a filha de Rachel. O grande segredo de Heitor é revelado somente no último capítulo da trama, quando ele descobre ser filho de Sofia (Yara Amaral). Ela pensava que o bebê tinha morrido ao nascer.

 

Drama real

O maior drama de Sol de verão aconteceu fora dos sets. Em 19 de fevereiro de 1983, Jardel teve um ataque cardíaco fulminante. A morte do protagonista chocou o país. Os colegas e Manoel Carlos fizeram uma homenagem após a última cena de Heitor ser veiculada. Emocionado, GianFrancesco Guarnieri leu um texto em que dizia, entre outras coisas, que “quando morre um ator, morrem tantas pessoas com ele”.

 

Com a perda do amigo, Manoel Carlos não teve condições emocionais de assinar os últimos capítulos de Sol de verão. Os 17 episódios finais foram escritos em conjunto por Guarnieri e Lauro César Muniz. A ideia original de Manoel Carlos era que Heitor e Rachel se casassem na Holanda, país de origem do noivo.

 

O destino de Rachel foi modificado e gerou controvérsias no público. Uma parte da audiência não queria ver a personagem feliz ao lado de outro homem e outra parte aprovou a saída encontrada. Rachel tem um filho de Heitor e termina ao lado do ex-marido, Virgílio. O novo relacionamento deles, no entanto, é apenas sugerido. Sutil, como Manoel Carlos.

 

Saiba mais

 

Mau exemplo

Como pode uma mulher abrir mão de um casamento aparentemente feliz? Esse era o questionamento de parte do público com relação à decisão de Rachel. A Globo chegou a receber cartas de telespectadores classificando a ação da mocinha como mau exemplo.

 

Boa ação

As tramas de Manoel Carlos sempre engajam em uma campanha social. Em Sol de verão, foi pela inclusão social dos surdos-mudos. O resultado foi que muitas escolas passaram a ensinar o sistema de LIBRAS para as crianças.

 

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