Brasília-DF,
22/SET/2021

Chef Severino Xavier relembra trajetória desde que chegou em Brasília

O nordestino desembarcou na capital na década de 1960 para trabalhar no restaurante Nosso Lar, hoje La Chaumière

Diminuir Fonte Aumentar Fonte Imprimir Corrigir Notícia Enviar
Rebeca Oliveira Publicação:17/04/2015 06:11Atualização:16/04/2015 13:25
Severino Xavier se orgulha de servir a várias gerações de brasilienses (Bruno Peres/CB/D.A Press)
Severino Xavier se orgulha de servir a várias gerações de brasilienses
De São Joaquim do Monte, vizinha da pernambucana Caruaru, até Brasília, foram quatro dias de uma longa viagem de ônibus. Severino Xavier chegou à capital ainda na década de 1960 sem lenço e sem documento. O que não lhe configurou um problema, pois o emprego no restaurante Nosso Bar, hoje La Chaumière, estava garantido. De empregado a proprietário da casa francesa, Severino - ou Seve-rã, como é chamado por clientes e amigos - se classifica um guardião do seu menu, praticamente inalterado desde a inauguração, em 1966.

Enquanto dava um emocionado depoimento ao Divirta-se Mais, Severino Xavier fez uma pausa: !Está vendo aquela família? Ali já é a quarta geração que atendo. Veja: eles têm uma criança no colo. Isso me satisfaz muito!, afirmou. A poucos dias do aniversário do capital, relembramos a história desse pernambucano que adotou Brasília como sua capital.

A chegada

"27 de março de 1961. Foi o dia que vi Brasília pela primeira vez. Encontrei uma cidade, apesar de inaugurada há um ano, ainda em fase de construção. Meu irmão veio primeiro, em 1958, e conheceu um casal de franceses, Roger e Lucette Nöel, donos do restaurante Nosso Bar. Eu vim depois, a convite do mesmo casal. Naquela época, era difícil encontrar pessoas para trabalhar em padarias, restaurantes e bares. Os trabalhadores vinham do Nordeste, principalmente, e queriam se envolver com a construção da capital, o que realmente dava dinheiro. O restaurante era simples, mas com comida boa. Atendia mensalistas, clientes que comiam durante todo o mês e acertavam as contas quando recebiam o pagamento. De repente, a cidade começou a receber pessoas viajadas, diplomatas, ministérios. Isso mudou a cara da capital."

De bar à casa francesa

"Em 1966, o Nosso Bar mudou de nome e de cardápio. Virou o La Chaumière, que significa a cabana, traduzido do francês. Quando o corpo diplomático de vários países se instalou por aqui, houve a necessidade de uma casa mais refinada, que atendesse a esses paladares estrangeiros. Eu continuei trabalhando na casa como lavador de prato, ajudante de cozinha, cortador de legumes, fiz tudo isso e mais. Em 1966, Roger e Lucette tiveram que resolver pendências na França e me convidaram para ir com eles. Fiz um estágio em um restaurante de lá e até recebi o convite para ficar, mas resolvi retornar."

 (Zuleika de Souza/CB/D.A Press)
Nasce Seve-rã
"No final de 1972, Roger e Lucette deram a fatídica notícia: venderiam o restaurante, mas só poderia haver um comprador. O negócio só seria concretizado se eu o comprasse ou a casa fecharia as portas. Indaguei: como um pernambucano vai chefiar uma casa francesa? Com esse nome, eu só poderia ser dono de restaurante de carne de sol. E ela me respondeu: se você comprar o La Chaumière, não será o Severino de Caruaru. Será o Seve-rã, de Carru-arru."

Longevidade

"Madame Lucette Nöel estabeleceu uma única condição para me vender a casa: não aumentar de tamanho e nem fazer um cardápio longo demais. É mais fácil comprar, exigir e manter um padrão quando o local é pequeno. Tenho somente 30 lugares. Continuo com essa visão. Não viso só o lucro, viso o cliente. Quero que ele saia satisfeito, feliz, e tenha retorno do que pagou. Minha maior alegria é encontrar clientes em outros estados e elogiarem o meu restaurante. Agora mesmo eu estava na praia do Francês, em Maceió, e encontrei um cliente na praia. Ele disse maravilhas sobre o restaurante. Isso me emociona."

Memórias gastronômicas

"Quando o cliente volta ao restaurante, o paladar tem que ser o mesmo. Um prato não é só comida, remonta a muita coisa, à memória, à história. Não mudo as receitas, pois, junto com o La Chaumière, está a minha vida. Se mudar porque tenho medo das casas que estão abrindo, teria medo de ser quem sou."

Onde comer

Assim como o La Chaumière, confira a lista de restaurantes com 30, 40, 50 anos de funcionamento.

Bar do Amigão:
(506 Sul, Bloco B, loja 46; telefone 3244-1109), aberto de segunda sexta, das 11h às 23h30; e sábado, das 11h às 17h.

Churrascaria Paranoá: (Barragem do Paranoá, lote 2, paranoá; telefone 9262-2056), aberto de terça a domingo, das 10h às 20h.

Fritz:
(404 Sul, Bloco D, loja 35; telefone 3223-4622 e 3226-8033), aberto de segunda a sábado, das 12h à 0h; e domingo, das 12h às 17h.

La Chaumière:
(408 Sul, Bloco A, loja 13; telefone 3242-7599 e 3244-3875), aberto de terça a sábado, das 12h às 15h, e das 19h à 0h; e domingo, das 12h às 15h.

Restaurante China:
(103 Sul, Bloco D, loja 2; telefone 3224-3339 e 3226-9318), aberto de segunda a sexta, das 11h30 às 15h, e das 19h às 23h; sábado, das 11h30 às 16h, e das 19h às 23h30; e domingo, das 11h30 às 16h.

Roma:
(511 Sul, Bloco B, loja 61; telefone 3346-4030), aberto de segunda à sexta das 11h30 às 15h, e das 19h à 0h; sábado e domingo, das 11h30 às 17h, e das 19h à 0h.

COMENTÁRIOS

Os comentários são de responsabilidade exclusiva dos autores.

BARES E RESTAURANTES

CINEMA

TODOS OS FILMES [+]

EVENTOS






OK