Brasília-DF,
11/DEZ/2017

Estudo mostra baixa porcentagem de personagens interpretados por pretos e pardos

O índice aponta que apenas 10% dos papéis foram feitos por brancos e não-brancos nos últimos 20 anos

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Vinicius Nader Publicação:21/06/2015 06:17Atualização:19/06/2015 12:46
Exceção: depois de Lado a lado, Camila Pitanga protagoniza Babilônia (Estevam Avellar/TV Globo)
Exceção: depois de Lado a lado, Camila Pitanga protagoniza Babilônia
As novelas brasileiras - especialmente as da Globo - são apontadas muitas vezes como espelho de costumes e retrato da sociedade brasileira. Mas, pelo menos no que diz respeito à participação de pretos e pardos na população, não é bem assim.

Realizada pelo Grupo de Estudos Multidisciplinares de Ação Afirmativa (Gemaa) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), a pesquisa A raça e o gênero nas novelas dos últimos 20 anos aponta que apenas 10% dos personagens das novelas exibidas pela emissora entre 1995 e 2014 foram interpretados por pretos ou pardos.

"Submetemos os atores de 101 novelas a um grupo que os classificou em brancos e não-brancos e depois fizemos a análise da narrativa para ver a importância dos papéis nas tramas", explica um dos coordenadores da pesquisa, Luiz Augusto Campos.

No estudo, Campos percebeu que o cenário não mudou nos 20 anos e que em oito tramas - incluindo sucessos como Império e História de amor - nenhum personagem principal era não-branco. "Nem mesmo em tramas com temática escravagista, o não-branco é maioria. Lado a lado, novela premiada com o Emmy, por exemplo, tinha 31% do elenco principal de não-brancos", comenta o pesquisador.

Lado a lado é uma exceção que teve um casal de protagonistas interpretados por pretos ou pardos - Lázaro Ramos e Camila Pitanga. Apenas 4% das protagonistas femininas não eram brancas. Entre os homens o número cai ainda mais: 1%.

Taís Araújo foi uma Helena de Manoel Carlos, em Viver a vida

 (TV Globo / Márcio de Souza)
Taís Araújo foi uma Helena de Manoel Carlos, em Viver a vida
É curioso notar que apenas Lázaro Ramos teve papel de protagonista. Entre as mulheres aparecem somente três nomes: Juliana Paes, Taís Araújo e Camila Pitanga, que, atualmente vive a mocinha de Babilônia, Regina. A mesma novela ainda traz atores como Thiago Martins, Marco Palmeira e Sheron Menezes em papéis de destaque. Símbolo das mocinhas nas novelas brasileiras, as Helenas de Manoel Carlos tiveram apenas uma representante negra, em Viver a vida. "Quantas Helenas existiram para que uma tivesse cabelos crespos?", questiona Campos.

"É preciso que as normatizações que estabelecem cotas raciais no audiovisual sejam transformadas em lei. Para que, com o tempo, mais personagens não-brancos sejam inseridos nas tramas. Os atores acabam ficando desestimulados com isso", defende Campos, que ainda aponta o padrão de beleza vigente no país - muitas vezes ditado pela própria Globo - como outro obstáculo a ser superado.

Números

5% dos protagonistas eram não-brancos
90% dos personagens eram brancos
1 novela superou os 30% de personagens pretos ou pardos
8 tramas não tinham pretos ou pardos em papéis de destaque
Tags: celular

COMENTÁRIOS

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Thales Carvalho 21 de Junho às 11:47

Vem cá: por que eu deveria confiar em uma pesquisa com um baita de um viés desses? Correio: deixa de fazer proselitismo racista que já está ficando feio...

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