Brasília-DF,
21/SET/2017

Programa inspirado em Radical Chic estreava na tarde para conquistar os jovens

Globo misturava game show e esquetes

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Ataide de Almeida Jr. Publicação:04/10/2015 06:01Atualização:02/10/2015 15:58
Andréia Beltrão e Otávio Augusto contracenavam em esquetes inspiradas nos quadrinhos (TV Globo/Reprodução)
Andréia Beltrão e Otávio Augusto contracenavam em esquetes inspiradas nos quadrinhos
Apesar de ser uma personagem marcante, a Sueli, de Tapas & Beijos, não foi a única que vai ficar guardada na memória e na carreira de Andréia Beltrão. Bem antes, ainda nos anos de 1980, a atriz interpretou a inesquecível Zelda, de Armação ilimitada, e, em 1993, deu vida a uma das mulheres mais icônicas dos quadrinhos, a Radical Chic, criada pelo cartunista Miguel Paiva.
 
O programa, que foi ao ar antes da estreia de Malhação e que dividia o horário com A escolinha do professor Raimundo, foi uma das tentativas da TV Globo de conquistar a audiência dos jovens, que estavam chegando em casa após o horário das aulas, de incluir na grade de programação games shows no melhor estilo norte-americano e de fazer o que a emissora mais sabe: dramaturgia. Portanto, a atração era uma mistura de série e brincadeiras.
 
Para a parte do game show, a emissora chamou uma recém-descoberta da MTV, Maria Paula — que depois ganharia mais fama com a apresentação de quadros do Casseta & Planeta Urgente. 
Recém-descoberta, Maria Paula apresentava a atração (TV Globo/Reprodução)
Recém-descoberta, Maria Paula apresentava a atração
A apresentadora comandava um jogo de perguntas e respostas feitos com 15 jovens do ensino médio ou de universidades e em equipes separadas por sexo — a velha estratégia de mostrar a competição entre homens e mulheres.
 
As perguntas para o game show vinham das esquetes apresentadas por Andréia Beltrão na pele de Radical Chic. Caracterizada como no desenho do cartunista, com aquele cabelo vermelho espetado e roupas consideradas moderninhas, os quadros da personagem abordavam todos os tipos de temas, desde sexo e relacionamentos, passando por problemas com pais ou situações cômicas. Geralmente, eram apenas monólogos, mas, às vezes, ela contracenava com um garçom, vivido por Otávio Augusto.
 
Eram, ao todo, quatro participações da Radical durante o game show — nos intervalos, a atriz telefonava para Maria Paula ou para um garçom que ficava no palco.
 
No fim do game show, os vencedores eram aqueles que acumulavam mais pontos. Essa pontuação era revertida em dinheiro. O programa chegou a dar cerca de CR$ 500 mil, um dos maiores prêmios para a época.
 
Saiba mais
 
Decisão
 
Antes de definir para o horário das 17h, de segunda a sexta-feira, a direção da emissora carioca pensou em fazer de Radical Chic um quadro para o Fantástico, aos domingos. O então vice-presidente da Globo, no entanto, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, decidiu que o formato poderia fazer parte de um programa de variedades e games para as tardes.

Adaptação
 
Segundo o site Memória Globo, o Departamento de Fiscalização da 1ª Vara de Menores do Rio de Janeiro fazia várias intervenções nos textos apresentados durante o programa. Três fatores são apontados como os responsáveis por isso: o horário em que a atração era exibida, a participação de menores de idade e o texto repleto de assuntos voltados para o sexo. A partir de junho de 1992, apenas estudantes maiores de idade faziam parte do programa.

História
 
A tirinha da Radical Chic foi publicada originalmente no caderno de domingo do Jornal do Brasil, nas décadas de 1980 e 1990. Segundo Miguel Paiva, a personagem refletia o momento histórico de redemocratização. Uma das frases célebres dela foi: “Certas dietas são simples. É só cortar açúcar, frituras, massas, molhos e... os pulsos”.

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