Brasília-DF,
24/OUT/2017

Crítica: Em 'Dunkirk', diretor Christopher Nolan perde o combate

No lugar de retratar o caos reservado a centenas de milhares de combatentes, Nolan refuta a representação: estampa, com realismo agudo, o palco bélico

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Ricardo Daehn Publicação:28/07/2017 06:00Atualização:27/07/2017 16:32
Elenco é mal-aproveitado em roteiro confuso e sem conexão de 'Dunkirk' (Internet/Reprodução)
Elenco é mal-aproveitado em roteiro confuso e sem conexão de 'Dunkirk'

No filme Dunkirk, o diretor inglês Christopher Nolan expõe o cerco a britânicos e franceses, nos anos 1940, por parte dos nazistas. O inimigo também não deixa de ser alemão: indicado a muitos Oscars, no passado, o compositor Hans Zimmer derrapa na trilha, absolutamente despropositada.
 
Um contraste de ruas desertas, com casas floridas e ambiência colorida entrega pistas falsas do longa: primorosa, a agitada cena inicial não se perpetuará. Como consolo, o tecnicismo desmedido de Nolan está presente no longa, mas a complexidade de narrativa dos instigantes A origem (2010) e Interestelar (2014) desaparece. Corriqueira nos filmes de Nolan, a montagem do australiano Lee Smith, desta vez, embaralha ações, formando uma trinca desagradável. As frentes de ação transcorrem no Molhe (palco central da ação), no ar (de onde despenca o bombardeio alemão) e no mar (cenário que aponta para a libertação, quase milagrosa, dos soldados ilhados).
 
 
A montagem de Dunkirk acusa um compasso de espera, colado à situação dos militares, desorientados. Por todo lado, torpedos e afundamento de barcos dão as caras, em abundância. A captura da amplitude das frentes de combate é arrebatadora. Como cães sem dono, os personagens perambulam, a exemplo de Tommy (Fionn Whitehead) e o intrigante soldado francês vivido por Damien Bonard (do recente Na vertical).
 
Confira as sessões
 
No lugar de retratar o caos reservado a centenas de milhares de combatentes, Nolan refuta a representação: estampa, com realismo agudo, o palco bélico. É possível até desculpar bobagens pomposas, no roteiro, como a da fala de um soldado que reitera: “A sobrevivência não é justa”.
 
Além do mergulho assustador do jovem Tommy, que tangencia a morte, a cada passo em terreno minado, Dunkirk dá bom espaço para o drama do personagem de Cilian Murphy, resgatado pelo mesmo Mark Rylance de Ponte dos espiões. No elenco, é preciso, ainda, registrar o desperdício do talentoso ator Tom Hardy (de Mad Max).
 
 

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