Brasília-DF,
17/SET/2021

Sommelier fala sobre obra do Mercado Municipal e influência de empresário

Inspirado em Jorge Ferreira, Tiago Pereira estudou enologia e hoje é considerado um dos maiores especialistas de vinho da cidade

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Rebeca Oliveira Publicação:01/11/2013 06:13Atualização:31/10/2013 13:18

De ajudante de serralheiro a sommelier com reconhecimento nacional: a história de Tiago Pereira da Silva é atrelada à do saudoso Jorge Ferreira (Breno Fortes/CB/D.A Press)
De ajudante de serralheiro a sommelier com reconhecimento nacional: a história de Tiago Pereira da Silva é atrelada à do saudoso Jorge Ferreira

Empresário, poeta, boêmio e agitador cultural. Predicados não faltam a Jorge Ferreira, figura ímpar na construção das cenas gastronômica e cultural de Brasília. Nos 12 bares que fundou, foram realizados mais de 10 mil shows. Ao morrer vítima de um aneurisma, em julho, Ferreira deixou órfã uma legião de amigos e admiradores — entre eles, Tiago Pereira da Silva. O jovem o conheceu em 2005, época em que Ferreira erguia uma de suas maiores realizações: o Mercado Municipal. Tiago, diante da gravidez da mulher e do desemprego que lhe tirava o sono, pediu ajuda a Jorge Ferreira. Tornaram-se amigos.

Ferreira não dispensava uma boa taça de vinho. Observando-o e encantado pela bebida, Tiago estudou enologia. Hoje, com a outorga da Associação Brasileira de Sommeliers, é considerado um dos maiores especialistas em vinho da cidade. Assim como ajudou a construir a história de Brasília, Jorge moldou a vida de Tiago da Silva. “Ele sempre me falava: vamos ver até onde você vai”, recorda. Hoje, aos 29 anos, Tiago acredita que a inspiração em Jorge Ferreira o levará a lugares ainda mais altos. E disso ninguém duvida.

O primeiro passo
Mercado Municipal começou a ser construído em 2005 ( Breno Fortes/CB/D.A Press)
Mercado Municipal começou a ser construído em 2005

Desempregado em 2005, soube que Jorge Ferreira estava construindo o Mercado Municipal. “Ele avisou ao meu tio, Ivan Silva, a respeito de uma vaga na construção, mas minha função seria ajudante de serralheiro. Jorge me avisou: ‘Você vai trabalhar pesado’. No primeiro dia, não sabia de nada e rasguei metade do meu dedo com uma barra de ferro. Em dois meses, aprendi tudo que deveria saber. Trabalhei um ano na obra. Quando a construção acabou, Jorge me recolocou no Mercado como conferente de almoxarifado. Ele sempre me falava: ‘Esse é o primeiro passo. Vamos ver até onde você vai’. Comecei a conhecer mais a loja e a diversidade dos produtos.


Jorge Ferreira me apresentava a clientes importantes, como o ex-presidente Lula. Eu era auxiliar de serralharia, mesmo assim, conhecia personalidades, artistas e políticos. Eu recebia todas as mercadorias do mercado e passei a ter contato também com os vinhos.

Lia os rótulos de todas as garrafas. Pedi ao Valmir Pereira, que era o sommelier à época, que me ensinasse os segredos ‘desse tal de vinho’… Comecei a estudar. Paralelamente, fui promovido a balconista e posteriormente a supervisor de loja. O Jorge acompanhava todos os meus passos. ‘Saiu do estoque e já está como supervisor? Isso é bom’, ele dizia. E encerrava as frases afirmando: ‘Vamos ver até onde você vai’. Ele tinha um dom: via potencial nas pessoas que ninguém enxergava.

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