Brasília-DF,
21/OUT/2017

Aguinaldo Silva sobre os folhetins: "Novela é um produto datado"

Autor de sucessos como Tieta, pernambucano se diz fã de seriados e decreta a decadência dos folhetins

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Fernanda Guerra Publicação:31/01/2016 13:48Atualização:31/01/2016 13:55

Aguinaldo Silva: 'O mundo precisa de pessoas conservadoras, uma visão menos revolucionária' (Renato Rocha Miranda/TV Globo)
Aguinaldo Silva: "O mundo precisa de pessoas conservadoras, uma visão menos revolucionária"
Com quase 40 anos de televisão, Aguinaldo Silva levanta a bandeira do conservadorismo, ao mesmo tempo em que adota uma postura de vanguarda nos enredos inusitados de algumas obras. Nascido em Carpina (PE), o autor de novelas da Globo, de 72 anos, apropria-se de referências de seriados internacionais, paixão adquirida desde Os Sopranos (1999). “É difícil uma noite em que eu não veja dois ou três episódios de uma série. No momento, estou vendo How to get away with murder”, conta.


O pernambucano passou 18 anos dedicados ao jornalismo. Em 1979, fez o primeiro trabalho como roteirista da Globo, no seriado Plantão de polícia (1979). A primeira novela foi O outro, em 1987. Desde então, escreveu Tieta (1990), Pedra sobre pedra (1992) e A indomada (1997). No ano passado, ganhou o primeiro Emmy Internacional, com Império (2014).

O roteirista mantém acesa a veia jornalística, sobretudo quando escreve textos para o blog pessoal ou entrevista personalidades polêmicas, como a atriz Luana Piovani.

Um dos trabalhos atuais do escritor envolve nova gerações de roteiristas. “Quando faço uma masterclass, passo o meu conhecimento para novos roteiristas. Eu aprendo muito com essas pessoas, bem mais jovens que eu”, disse.

Quem é:
Nome: Aguinaldo Silva
Nascimento: 7 de junho de 1943 (72 anos)
Local: Carpina (PE)

Entrevista
Aguinaldo Silva


Você trabalha em quê atualmente?
Da última masterclass que dei em novembro, saiu uma sinopse de um capítulo de novela. Tem o título provisório, mas não posso dizer o nome. Se passa na cidade do interior do Sul de Minas. É uma história que foi produzida em equipe, assim como Fina estampa. E essa é a história em que estou trabalhando. Além disso, estou fazendo várias coisas. Sou um homem que não se conforma em ficar parado. Estou preparando a Fábrica, entidade jurídica para produzir seriados. Seriado é minha grande paixão. O que pretendo é reunir roteiristas em quatro grupos. Cada um vai criar um seriado. Vamos oferecer aos produtores. Se interessar à Globo, posso assinar com meus roteiristas. Se a casa vender para outro canal, meu nome não pode constar porque tenho contrato de excluvisidade com a emissora.

Você também visa produzir para outras plataformas, como a Netflix?

Eu ainda não pensei nisso. Mas vou oferecer. A Netflix vai produzir no Brasil também. O público brasileiro é muito grande. Eu acho que o mercado de séries é muito amplo. Não é nem o futuro mais. É o mercado do presente. Novela é um produto datado. Não é que esteja se desvalorizando, mas a novela já atingiu um ponto em que a partir de agora se torna repetitiva. É difícil fazer algo original. Seriados são mais elaborados, mais curtos.

De que forma os seriados influenciam na sua obra?
Eles influenciam na utilização de ganchos, na forma mais elaborada de contar a história sem deixar de ser popular. Eu aprendi muito com eles. Aprendi a fazer, no ponto de vista de linguagem, uma novela mais moderna, menos esquemática. Em Império, por exemplo, o protagonista morre. Isso é um tabu. Eu aprendi com os seriados que podia fazer isso.

Você já se revelou conservador, mas se opõe a uma televisão mais liberal?
O esquerdismo é uma doença infantil da qual a gente se curou com um tempo. Acho que o mundo precisa de pessoas conservadoras, uma visão menos revolucionária. O mundo tem uma ordem que não é alterada nunca, sem sérias consequências. Quando as pessoas se posicionam contra essa visão mais conservadora, elas esquecem que o público de televisão no Brasil é de 60 milhões. É impossível que 60 milhões de pessoas devem ser liberais. A maioria é conservadora.

A série Doctor Pri foi engavetada. Ainda não há previsão de quando será lançada?
É um projeto que só me interessaria fazer na TV a cabo. E a TV a cabo para mim só pode ser Viva, GNT ou canais da Globo. Minha ideia é conseguir autorização, porque acho que a Globo está com bastante seriado com que se preocupar. Como não foi produzida na época, teria que atropelar vários outros para de novo entrar na linha de produção.

É impressão minha, ou toda obra sua tem um toque de Pernambuco?

Eu sou pernambucano. Minhas raízes são de lá. Embora fique muito tempo sem ir ao Recife, eu tenho sotaque até hoje. Quando escrevo uma novela que se passa no Nordeste, o sotaque volta todo. Tem sempre alguma coisa de Pernambuco.

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