Brasília-DF,
23/SET/2021

Acompanhe o passeio feito pela 'Coluna Favas contadas' entre vinhos e champanhes

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Liana Sabo Publicação:23/10/2015 06:03Atualização:23/10/2015 12:44

Borbulhas centenárias

Garibaldi (RS) — Quando o imigrante italiano Manoel Peterlongo, vindo da região de Trento, no Tirol, instalou-se na Colônia Conde d’Eu (atual município de Garibaldi), colocou em prática seus conhecimentos, como engenheiro agrimensor. Consumir bons vinhos era um hábito que trazia do berço. Por isso tratou logo de produzi-los e os fez, conforme o método clássico francês, chamado champenoise.


O que certamente nunca imaginou foi que, ao concluir a dupla fermentação do vinho branco, elaborado com as mais finas uvas colhidas na época, estava lançando o que se constituiria, 100 anos mais tarde, no ícone da vitivinicultura brasileira.


Casado na década de 1890 com Regina Vivan, também imigrante italiana da região de Treviso, Manoel batizou o vinho com o nome de seu único filho homem, Armando Peterlongo, caçula de nove irmãs: Ortenila, Flordalice, Nestorina, Rosalina, Bernardina, Armênia, Carmem, Celina e Corália.

 (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Exclusividade


Primeiro champanhe produzido no Brasil, o Peterlongo é o único que pode ostentar “champanhe” no rótulo. A exclusividade se deve ao fato de a vinícola adotar a técnica e o termo champagne desde o início do século passado e muito antes de os produtores franceses buscarem registro para a sofisticada bebida nascida nas proximidades de Paris. Só em 1927, 12 anos após a fundação da vinícola Peterlongo na Serra Gaúcha, a região produtora de Champagne no norte da França foi delimitada.


No Brasil, alguns produtores de vinhos espumantes conseguiram, em 1974, autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) para manter a denominação original da bebida, sob a alegação de que produziam o vinho antes da regulamentação ocorrida na França. Além da Peterlongo, também produzia champagne em terras gaúchas a vinícola George Aubert.

Nova era


Armando Peterlongo substituiu o pai no comando da vinícola, que continuou na família após a morte dele. Treze anos atrás, ela mudou de mãos quando o também imigrante Luiz Carlos Sella, próspero empresário, decidiu investir em dois negócios: uma fábrica de pneu e a Vinícola Armando Peterlongo, imaginando que a primeira lhe daria mais satisfação. Aconteceu o contrário e hoje, Sella garante “que a história da Peterlongo não termina aqui.”


A fim de recuperar o antigo prestígio da marca, “mudamos o rumo da vinícola, que agora volta a focar em produtos de excelência.” Como a linha Vintage, composta por seis garrafas (colecionáveis) entre champanhe e espumantes. Cinco delas vêm numa caixa de madeira, enquanto a sexta, uma Magnun, com 1,5ml completa a coleção, que pode ser adquirida inicialmente só na vinícola ao preço que varia de R$ 120 a R$ 400, a garrafa. Telefone (054) 3462-1355 — vinicola@peterlongo.com.br.

Sede histórica


Foi no Castelo Peterlongo, construído no início do século passado, com paredes de basalto, onde se encontram os primeiros equipamentos usados na vinícola, que os sócios proprietários receberam na última sexta-feira, em noite de festa (teve até fogos de artifício), mais de 400 convidados para comemorar o centenário da marca — agora no seleto grupo, que inclui outros ícones, como Casas Pernambucanas, Pomada Minancora e Chocolate Lacta.


“Apenas 190 empresas no Brasil tem 100 anos”, exclamou o presidente da vinícola, depois de saudar as netas de Armando Peterlongo, que teve duas filhas. Por motivo de saúde, Eneida Peterlongo, de 85 anos, não pode estar presente.

Em grande estilo

 

 (Antonio Cunha/CB/D.A Press)
 


Como nos velhos tempos — nem tão velhos, apenas dois anos durou a orfandade do gourmet brasiliense — o chef dinamarquês Simon Lau Cederholm volta a servir menu-degustação de pratos contemporâneos elaborados à maneira nórdica, mas com ingredientes locais.


Do mesmo modo que era apresentada no Lago Norte, a cozinha do novo Aquavit, restaurante que recebeu a mais alta premiação na cidade, está de volta no Jardim Botânico, onde Simon inaugurou em agosto sanduicheria dinamarquesa. Chama-se Smorrebrod, o pão preto que leva salmão defumado, batata, tomate, ovo, maionese e cebola entre os principais ingredientes.


Seis etapas


Você pode optar pelo menu enxuto (R$ 250) ou pelo harmonizado (R$ 395) com vinhos escolhidos a dedo no Novo e Velho Mundo. Começa com coquetel de ostras de Santa Catarina regado a um Viognier argentino; segue pirarucu defumado a frio com purê de banana da terra e farofa de pão preto harmonizado com Riesling seco alemão.


O terceiro prato traz terrine de foie gras à cachaça com sorbet e confit de cajuzinho do mato acompanhado de pão de especiarias e um doce Tokai 2011 de furmint, a uva ícone da Hungria.


Dali passa para uma autêntica preparação do cerrado de guariroba, couve recheada com canjiquinha, cajá e redução de tinto espanhol escoltando costela de porco. Segue degustação de chocolates brasileiros da marca Amma com até 85%, acompanhado do porto Churchill Reserva Ruby. No fim, chá ou café sempre com madeleines frescas feitas na casa.


O novo Aquavit só reabriu depois que ficou pronto um atalho que permite estacionar o carro junto ao restô, em meio a um esplendoroso jardim que cercava a antiga casa de chá do Jardim Botânico. “Minha intenção sempre foi de interpretar essa paisagem e transformá-la em experiências gastronômicas”, diz Simon. Funciona de quarta a sexta a partir das 20h30 mediante reservas pelo telefone 3366-4686.


Festival de ceviche


 (Edilson Rodrigues/CB/D.A Press)
Depois de David Lechtig, Marco Espinoza e mais recentemente Lui Veronese —  protagonistas de deliciosos ceviches na cidade — Brasília confirma sua preferência pela original criação andina ao sediar amanhã, no Clube do Exército, o inédito concurso intitulado El mejor ceviche en Brasilia 2015. Organizado por Perú Sabor y Tradición, entidade criada a três meses em Brasília por um grupo de peruanos tendo a frente Wilson Ortiz, o certame visa divulgar “a culinária do Peru na cidade”, explica o promotor.


O concurso, que começa às 12h, será aberto ao público interessado em assistir à exibição das iguarias aos jurados, que levarão em conta cinco critérios: apresentação do prato, criatividade, sabor, aroma e textura.


O chef peruano Miguel Pacheco Flores estará a postos elaborando pratos quente e frios, que poderão ser degustados pelo público por R$ 50 por pessoa. No bufê, tiradito nikkey, arroz chaufa, anticuchos, pepián de choclo, que é um creme de milho, seco de chavelho (banana verde com carne), além de ceviche tradicional.


Outro peruano, o barman Javier Bazan Espejo irá preparar pisco sour e chicha morada, bebidas típicas que acompanham o cardápio. Completam o programa música e dança do Peru, apresentadas ao vivo.

Só amanhã


Colorado Appia, Krombacher pilsen, Belgian Saison (todos por R$ 10 cada) e Angel Tripel e Oberkorn (por R$ 15) são os chopes selecionados por Luciana Isaac e Antônio Jorge para regar o paladar de que for amanhã ao 4º Oktober Day, que eles promovem em seu Empório Soares & Souza, na 403 Sul.


“Queremos promover em Brasília pelo quarto ano consecutivo o clima verdadeiro da tradicional festa alemã que se tornou popular também em Santa Catarina”, explica o sócio-proprietário.


Para acompanhar os bons goles, há um churrasquinho gourmet e salsichão, ambos por R$ 8 cada, além de um mix de mini salsichas com mostarda especial por R$ 20. A loja fica no Bloco D da 403 Sul e a festa começa a partir das 11h com ingresso a R$ 50, que dá direito a uma caneca de vidro e dois chopes.

Cachaça não é água, não...


Economista, advogado, historiador e... cachaceiro com orgulho. Adalberto Verás não é do tipo que se acanha para falar da água que passarinho não bebe. Pelo contrário. Fez dela o elo com a comunidade de Taguatinga, onde abriu a Adega da Cachaça, famosa por sua estante com mais de mil tipos de “marvadas” diferentes. No dia 1º de outubro, ele celebrou duas décadas de fundação do bar por onde já passaram boêmios, poetas, músicos e artistas. Hoje, o local é um patrimônio da cidade.

a situação econômica do país não é das melhores. Entretanto, Véras não se dá por vencido. “O Rio de Janeiro tem botecos com 145 anos e que passaram por muitas crises. Nós vamos no mesmo caminho. Não é por isso que vou desanimar. E, com toda sinceridade, não vislumbro lucro na Adega da Cachaça. Nossa ligação é afetiva”, confessa o empresário.

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