Brasília-DF,
19/JUN/2018

Exposição Mestres do Renascimento reúne obras de gênios em Brasília

Um total de 23 museus e colecionadores privados emprestaram pinturas, desenhos e esculturas para a exposição

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Nahima Maciel Publicação:11/10/2013 06:19Atualização:11/10/2013 10:52

Reprodução de Anunciação, de Botticelli: escola florentina desempenhou papel central na pintura renascentista (Civita Arte/Divulgação)
Reprodução de Anunciação, de Botticelli: escola florentina desempenhou papel central na pintura renascentista

A logística para trazer ao Brasil as 57 obras de Mestres do Renascimento - Obras-primas italianas é, no mínimo, complexa. Um total de 23 museus e colecionadores privados emprestaram pinturas, desenhos e esculturas para a exposição, que é, segundo a produtora Noemi Gambini, um verdadeiro panorama do Renascimento na Itália dos séculos 15 e 16. Entre os artistas, estão representados Michelangelo, Rafael, Fra Angélico, Veronese, Boticelli, Leonardo da Vinci e Tintoretto, a nata da pintura renascentista.

Visitada por 397 mil pessoas em São Paulo, Mestres do Renascimento fica em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) até janeiro e poderá ser vista pelo público a partir de amanhã. Neste fim de semana, a exposição pode ser vista inclusive de madrugada. O CCBB realiza, no sábado, uma virada cultural com programação especial para as crianças e a galeria fica aberta ao público. Para criar as condições perfeitas de umidade e temperatura, o sistema de ar condicionado da instituição foi trocado e uma antecâmara recebe os visitantes antes de entrarem na galeria. No interior, a temperatura pode variar entre 19 ºC e 21 ºC, enquanto a umidade deve ficar entre 50% e 60%.

As obras têm em média 500 anos e qualquer variação pode danificá-las. Na galeria, o que se vê é um desfile das escolas que fizeram a mais importante revolução da história da arte italiana. “São obras que testemunham um momento da pintura”, explica a produtora Noemi Gambini. Historiadora, ela aponta especialmente duas escolas que merecem destaque na mostra: a florentina e a veneziana.

Os pintores de Florença — e aqui entram Michelangelo, Rafael, Leonardo da Vinci e Boticelli — eram muito apegados à matemática e à filosofia. O desenho servia de base para a pintura e toda a composição era muito planejada e organizada. Já os venezianos — e Tintoretto talvez seja uma de suas maiores estrelas — cultivavam o impulso pictórico e pintavam diretamente, sem o auxílio de desenhos.


Duas perguntas Noemi Gambini

 

Quais as diferenças entre Veneza e Florença na época do Renascimento?

Florença é uma cidade pequena, projetada, tem toda uma ordem matemática no espaço. Nada é ao acaso. Tudo tem uma motivação matemática e filosófica. Veneza tem uma criatividade mais livre, não tem uma proporção matemática e a arte tem uma raiz muito profunda na realidade da cidade. E Veneza tem a luz.

Qual a importância das obras de Rafael e Michelangelo que estão na exposição?

É um Rafael jovem que está na exposição. Ele era um intelectual, que vai a Florença e descobre a pintura. Nesse momento, ele tem uma idealização da realidade e do corpo humano que vem das proporções áureas. É um momento muito marcante do Renascimento: é a importância do humano, da filosofia, da matemática, da profundidade da cor. E as obras de Michelangelo testemunham um momento na obra do pintor. Ele não se dedicou apenas a essa atividade — também era um arquiteto, e o desenho da obra do portal representa toda a atividade arquitetônica do artista.

Confira entrevista com Raffaele Trombetta, embaixador da Itália no Brasil


Qual a participação da Embaixada da Itália na realização da mostra?


Como país de origem destas obras-primas, a Itália está obviamente na linha de frente como parceiro convicto e entusiasta desta iniciativa sem precedentes que vê a chegada de 57 obras dos maiores expoentes do Renascimento Italiano. Creio que seja a primeira vez em absoluto que seja possível admirar fora da Itália num mesmo contexto, obras e artistas como Leonardo, Botticelli, Raffaello, Michelangelo, Donatello, Tiziano etc. A mostra sobre os Mestres do Renascimento se coloca no conjunto de uma política de promoção da arte e da cultura italiana que no Brasil teve a realização de exposições e eventos de altíssimo nível, como a recente mostra sobre Caravaggio e aquela sobre os tesouros do Vaticano. Contamos também no futuro de continuar, em colaboração com nossos parceiros brasileiros, oferecendo ao público brasileiro cada vez mais de nosso imenso patrimônio cultural.

Qual a importância da exposição e por que o interesse em trazer exposições desse porte para o Brasil?

A importância dessa exposição é máxima. Nunca foi realizada no Brasil uma exposição deste porte sobre o Renascimento Italiano e muitas entre estas obras saíram da Itália pela primeira vez. É um símbolo da extraordinária importância deste evento o fato de que a exposição está sendo realizada sob o Alto Patronato do Presidente da República Italiana: trata-se da mais alta forma de apoio institucional italiano e é concedido raramente. Foi uma demonstração pessoal do Presidente Italiano Giorgio Napolitano em manifestar seu apoio ao projeto. Para a Itália, o interesse em trazer exposições desse porte ao Brasil deriva de termos na cultura um dos principais vínculos de nossas relações bilaterais. E a exposição Mestres do Renascimento tem o significado de representar com ênfase o excelente estado das relações ítalo-brasileiras. Estamos avançando não somente na cooperação em âmbito cultural, mas em todos os setores.

Quais as obras mais importantes da exposição?


Creio que a importância da exposição e parte de seu interesse residem também na própria subdivisão das obras ao longo do percurso pensado através das várias cidades que foram protagonistas da revolução artística do Renascimento. O visitante da mostra revive aqueles anos intensos de fermento artístico que partem de Florença para investir, como uma corrente, as outras cidades da Península, assumindo assim o caráter de fenômeno propriamente e tipicamente italiano. Dito isto, as obras são tão belas e importantes que é difícil escolher qual seja a mais significativa. Talvez, devendo mesmo selecionar uma obra que me impressione mais sob o plano artístico, diria Cristo Benedicente de Raffaello, a qual a harmonia intrínseca e intensidade tornaram-se um dos símbolos do Renascimento e da pintura italiana em geral.

Mestres do Renascimento - Obras-primas italianas

Exposição com 57 obras de mestres como Leonardo da Vinci, Tintoretto e Boticelli. Visitação a partir de amanhã, até 15 de janeiro. De terça a domingo, das 9h às 21h. A exposição poderá ser visitada neste fim de semana entre as 9h de sábado e as 21h de domingo.

    • 11/10/2013
    • ARTES VISUAIS - Confira as fotos da exposição Mestres do Renascimento
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COMENTÁRIOS

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Bylack Balduino 11 de Outubro às 13:12

PERDER UM TREM DESSES NUNCA, RS.

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