Brasília-DF,
20/MAI/2022

Feitiço Mineiro recebe show com repertório baseado em composições da ditadura

Pecê Sousa Salomão Di Pádua dividem o palco para apresentar releituras

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Irlam Rocha Lima Publicação:01/04/2014 06:00Atualização:01/04/2014 09:13
Pecê Sousa e Salomão di Pádua tocam músicas proibidas na ditadura (	Célia Curto/ Divulgação)
Pecê Sousa e Salomão di Pádua tocam músicas proibidas na ditadura
“Pai, afasta de mim esse cálice/ De vinho tinto de sangue”. Quando Chico Buarque e Gilberto Gil iniciaram a interpretação dessa música, no Phono 73, festival promovido pela Phonogram (atual Universal), os microfones foram desligados. Naquele momento, um censor que estava presente, ao se dar conta de que a canção — proibida — estava sendo apresentada, havia entrado na cabine e ordenado aos funcionários da gravadora que desligassem o som.

Gil foi até Chico e o abraçou. Chico, então, falou: “Olha, estão me aporrinhando muito, sabe? Esse negócio de desligar o som não estava no programa não! Eu não posso cantar a música (Cálice), nem Ana de Amsterdam. Não vou cantar nenhuma das duas. Mas desligar o som não precisava, não”. Esse foi um dos muitos episódios, ligados à atividade artística, que marcaram aquele período sombrio da vida do país.

Nesta terça-feira (1/4), quando o golpe militar completa 50 anos, um show, intitulado Cale-se — A música de Chico Buarque contra a ditadura, será apresentado às 21h30, no Feitiço Mineiro. O espetáculo foi idealizado e concebido pela produtora Célia Curto e pelo cantor e violonista Pecê Sousa, que vai dividir o palco com Salomão di Pádua, Jorge Macarrão (percussão) e Toninho Alves (flauta).

“Para chegar ao roteiro do show, fizemos uma aprofundada pesquisa sobre as músicas censuradas de Chico Buarque, em diferentes fases da carreira dele. Chico desenvolveu a habilidade de colocar suas ideias com extrema sutileza, nas entrelinhas das canções. Mas era tão vigiado que, para driblar a censura, chegou a criar um heterônimo, chamado Julinho de Adelaide. Com esse nome, assinou músicas como Acorda amor e Jorge Maravilha”, conta Célia.
 
Cale-se
Show com Pecê Sousa e Salomão di Pádua, acompanhados por Jorge Macarrão (percussão) e Toninho Alves (flauta), hoje, às 21h30, no Feitiço Mineiro (306 Norte). Couvert artístico R$ 20. Informações: 3272-3032.
 
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