Brasília-DF,
25/JUN/2018

Adaptação de 'A cartomante' traz história de paixões e luta de classes

Única montagem completa do festival de ópera tem um elenco de 21 pessoas. A peça estreia nesta quinta-feira e segue até domingo na cidade

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Nahima Maciel Publicação:31/07/2014 08:12Atualização:31/07/2014 08:19
Jorge Antunes tomou a narrativa de Machado como base para uma trama na qual a tragédia é pano de fundo para discutir a luta de classes (Still/Divulgação)
Jorge Antunes tomou a narrativa de Machado como base para uma trama na qual a tragédia é pano de fundo para discutir a luta de classes

Foram o mistério e a intriga que atraíram o maestro Jorge Antunes no conto A cartomante, de Machado de Assis. A história de um triângulo amoroso que acaba em tragédia e deixa o leitor com a cabeça cheia de interrogações parecia a trama perfeita para uma ópera. Afinal, boa parte das historietas narradas nas óperas mais clássicas tratam de paixões, traições e assassinatos. Mas Antunes quis fazer algo à moda dele mesmo e tomou a narrativa de Machado como base para uma trama na qual a tragédia é pano de fundo para discutir a luta de classes. “Fiz uma adaptação grande, de um caráter atemporal e social”, explica. Na ópera A cartomante, que estreia hoje e encerra o IV Festival de Ópera de Brasília, o cenário é uma fábrica e o coro, os operários.

A única montagem completa desta edição do festival tem um elenco de 21 pessoas, cenários do artista plástico Miguel Simão — que reproduzem um prédio em obras — e figurinos alugados do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Tanto a música quanto o libreto foram escritos no ano passado, graças à verba de R$ 160 mil do Fundo de Apoio à Cultura (FAC).

Com o Teatro Nacional fechado e o festival transferido para o Teatro Pedro Calmon, que não tem fosso nem profundidade de palco suficientes para montagens de ópera, o jeito foi adaptar. Um sistema de televisão vai permitir que a Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional (OSTNCS), regida por Jorge Lisbôa Antunes, filho de Jorge Antunes, e os cantores possam acompanhar o maestro ao mesmo tempo.

Antunes ficou contente com o resultado. Quando ganhou a verba do FAC, ele achou que o dinheiro não seria suficiente para realizar a montagem: o projeto previa a contratação de uma orquestra inteira. Com a inserção da peça no festival, a música vai ficar por conta da orquestra do Teatro Nacional, que é formada por servidores públicos e paga pelo Governo do Distrito Federal (GDF).

IV Festival de Ópera de Brasília
A cartomante -  Ópera de Jorge Antunes. Com Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro (OSTNCS) e regência de Jorge Lisbôa Antunes. Elenco: Janette Dornellas (soprano), Jean Nardoto (tenor), Marlon Maia (barítono) e Clara Figueiroa (mezzo soprano). Hoje, amanhã, sábado e domingo, às 20h, no Teatro Pedro Calmon (Setor Militar Urbano). Entrada franca, mediante retirada de ingressos. Classificação indicativa: livre.

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