Brasília-DF,
19/SET/2018

Espetáculo 'Os estonianos' compartilha as angústias e os anseios adultos

A peça marca a estreia da atriz Fernanda Rocha como diretora

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Diego Ponce de Leon Publicação:02/10/2015 06:09Atualização:01/10/2015 17:51

A solidão dos casamentos e a escassez de contato humano são exemplos de temas abordados na peça (Diego Bresani/Divulgação)
A solidão dos casamentos e a escassez de contato humano são exemplos de temas abordados na peça
 

Quando estamos aos 20 anos, tudo parece não ter fim. A faculdade é nosso quintal de experimentos. Temos amigos eternos. Bebemos, fumamos, transamos. Não há amanhã. Levamos o clichê “carpe diem” à risca. Aos 30, percebemos o quanto estávamos errados. A eternidade é para tolos; a amizade, um privilégio; o sexo, nem tão frequente assim. Bebida e cigarros? O médico cortou. Agora, você faz checape, afinal.


Todas essas provocações balzaquianas, e outras mais, rondam o belo texto de Julia Spadaccini. Em Os estonianos, a roteirista, dramaturga e escritora carioca-brasiliense traz à tona a solidão dos casamentos, a escassez de contato humano nas relações cotidianas, o desespero de empregos estressantes e vazios, a busca patológica e ridícula pela tal felicidade (uma exclusividade dos estonianos, aparentemente).


Em cena, e sem sair dela por um único instante, os cinco personagens (pessoas comuns, como eu você) compartilham as angústias e os anseios que os carregam. De alguma forma, estão todos interligados. De outra forma, são desconexos ambulantes. Andarilhos urbanos e solitários (como eu e você).


A direção segura e criativa da estreante Fernanda Rocha falha somente ao permitir uma atuação (por parte de todo o elenco, formado por intérpretes competentes) que beira o caricato e o farsesco. Diante de representações inautênticas, torna-se difícil estabelecer uma relação afetiva com os personagens. A identificação pessoal fica restrita ao texto, o que gera uma ligação rúptil. Talvez, em termos sugestivos, caiba aqui um outro clichê: menos é mais.

Serviço

Os estonianos
Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB (SCES, Tr. 2). Até domingo, às 19h. Ingresso: R$ 10  e R$ 5 (meia). De 6 de outubro a 8 de outubro, o espetáculo estará no Sesc Ceilândia; e de 17 outubro a 19 de outubro, a peça estará no Sesc Taguatinga. Classificação indicativa livre.

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