Brasília-DF,
19/FEV/2018

Conheça o dancehall, estilo de dança vindo da Jamaica

A dança chega ao Brasil mesclando ritmo e consciência social

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Publicação:29/07/2016 09:00Atualização:28/07/2016 18:18
Carolina Mercado foi aprender o dancehall na Jamaica (Gustavo Neves/Divulgaçao)
Carolina Mercado foi aprender o dancehall na Jamaica
 
 
O dancehall nasceu nos guetos da Jamaica e é embalado pelo som do raggamurffin, gênero musical também típico daquele país. No Brasil, ele ficou conhecido com o nome do grupo que o popularizou, o francês Ragga Jam, liderado pela dançarina Laure Courellemont. O gênero musical é parecido com o reggae, mas com um som mais eletrônico. No início, os passos assemelhavam-se ao  hip-hop, mas, com o tempo, os dançarinos foram criando estilos próprios. É uma dança solo, com ênfase no quadril e no peitoral que explora a sensualidade e a diversão.
 
“Dancehall é uma cultura de rua jamaicana e carrega uma complexidade enorme de elementos, como a música e a dança. Já o Ragga Jam é uma marca registrada, e somente professores autorizados podem usar esse nome nas aulas”, explica Carolina Mercado, professora de dança e coordenadora do Backstage Dance Center. Uma das pioneiras do dancehall no Brasil, Carolina começou a estudar a dança jamaicana em 2004 e, três anos depois, foi selecionada para o Ragga Jam Brasil pela própria Laure Courellemont.
 
Apaixonada pelo estilo, ela bebeu diretamente da fonte: em 2012, foi até Kingstown, na Jamaica, para estudar mais o estilo nas festas e com os profissionais que tinha como referências. “Foi uma experiência extremamente enriquecedora e aumentou a minha paixão pelo meu trabalho.”
 
Hudson Olivier é dançarino há 12 anos e descobriu o dancehall em 2011, quando estudava danças urbanas com a Tribo Cia de Dança. “Sempre me encantaram as danças urbanas. O dancehall tinha o diferencial de ser uma dança unicamente negra e jamaicana. Eu adorava o gênero musical raggamurffin e descobri que havia uma dança para ela”, conta.
 
Além da Tribo Cia. de Dança, Hudson fez parte de outros sete grupos de dança de Brasília. Atualmente, ele dá aula em três academias de dança e participa de projetos sociais, como o Jovem de Expressão, na Ceilândia.

Contexto social

Para Hudson, praticar o dancehall deve ir além de aprender a técnica. É preciso estudar profundamente seus aspectos culturais. “Não tenho uma filosofia muito fitness no sentido de que meu foco não está apenas no corpo, na parte aeróbica da dança. Quero que os alunos absorvam a cultura também, que eles saibam que essa dança tem um contexto social”, explica.
 
Um dos aspectos que Hudson traz para a discussão é o sexismo. “Alguns movimentos só as mulheres fazem, e os homens ficam assistindo. Isso está mudando — tem uma cena forte na Jamaica para combater isso”, afirma. 
 
Na opinião de Carolina, é importante dar destaque à cultura negra, mas sempre enfatizando suas origens e seus pioneiros. “A arte negra tem um valor e uma potencialidade enorme. Ela influencia diversas outras culturas pelo mundo. O dancehall é uma dessas artes”, completa.
 
Para ela, a dança possibilita uma mudança de atitude. “Ao longo da minha carreira como professora vi grandes transformações entre os meus alunos, como o ganho de autoconfiança. O contato com o próprio corpo promove autoconhecimento, valorização de características que nos tornam únicos, entendimento das potencialidades e limitações. Tudo isso é encorajador e libertador”, reflete.
 
Veja um vídeo de dança de Carolina Mercado
 
Veja um vídeo de dança de Hudson Olivier 
 

Onde dançar

Backstage Dance
(710 Norte Bl. D lj. 41). Mensalidades a partir de R$ 179, no plano mensal. Informações: 3202-1255 ou contato@bsdc.com.br.

Claude Debussy
(513 Sul Bl. C e 716 Norte Bl.C lj. 36) Informações: 3245-3440 (Asa Sul) e 3349-0506 (Norte). R$954 o semestre e R$100 a matrícula. Aulas para meninos e meninas a partir de 13 anos.

Dance.com
(Comercial norte Taguatinga QNE 0). Mensalidades a partir de R$ 100. Informações:
3352-0021.

Juliana Castro
(508 Sul Bl.B ljs. 13/14). Mensalidades a partir de R$ 225. Informações: 3244-4142, 98173-5806 ou juliana@julianacastro. com.br.

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