Brasília-DF,
26/JUN/2017

Museu Nacional recebe a exposição 'Sobre linhas, membranas e fronteiras'

Exposição reúne fotografias que desvendam o universo das quadras 700 de Brasília

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Nahima Maciel Publicação:14/04/2017 06:04
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As fachadas das casas das 700, em Brasília, as pinturas nas residências do interior do Brasil e os tapumes que fazem parte da paisagem das metrópoles dão o tom de Sobre linhas, membranas e fronteiras, em cartaz no Museu Nacional da República. Com curadoria de Renata Azambuja, a mostra reúne fotografias de Cléo Alves Pinto, Michelle Bastos e José Roberto Bassul, todos selecionados para a leitura de portfólio realizada durante o Foto Capital no ano passado.
 
A relação com a arquitetura é a marca dos três trabalhos e está presente constantemente no olhar dos fotógrafos. Cléo Alves Pinto morava em Brasília havia seis anos, quando passou em frente às casas das quadras 700 pela primeira vez. Nascida no Paraná e criada em Minas Gerais, decidiu morar em Brasília há oito anos porque se apaixonou pela cidade.
 
Ao cruzar as casas na Asa Sul, ficou intrigada com a maneira como os moradores se apropriam das fachadas: “Me chamou a atenção como algumas pessoas resolveram fechar as casas, colocar grades, ou deixar abertas, conta.  “Com esse ato, elas mostram mais ou menos seu modo de viver, de morar, as preferências. E aí me dei conta de que essas fachadas funcionam como membranas para as pessoas que vivem ali.”  Cléo fotografou 509 casas durante cinco meses. Dessas, 46 estão na exposição.

Pintura


As fachadas residenciais também encantaram Michelle. Ela trabalhava com comunidades carajás, no Araguaia, e se deslocava muito a pé. Durante as caminhadas, passou a observar a pintura das casas. “No interior, as pessoas pintam as próprias casas, dentro e fora. E, nesse ato, ela está literalmente colocando para fora o que quer que seja visto. Pensei que isso é uma coisa muito próxima ao retrato”, explica a fotógrafa, que tem o retrato como um dos suportes do trabalho.
 
Michelle percorreu sete municípios a pé e realizou 15 mil fotos divididas em cinco ensaios, Algumas imagens são dedicadas ao retrato, mas há também uma série sobre feminismo rural e outra sobre água, além do material destinado às fachadas. Desse último, Michelle e Renata selecionaram 26 fotos para a exposição.
 
Na obra de Bassul, são os tapumes o objeto da fotografia. Arquiteto e fotógrafo, Bassul não se contenta com essas interferências na paisagem e vai atrás do que elas representam, tratando de ressignificá-las para criar o que Renata Azambuja chama de “associação de signos”.  Os tapumes podem dizer muito sobre uma cidade, o modo de vida de seus habitantes, as fronteiras entre o sonho e a realidade, o sentido da vida na metrópole.

SERVIÇO
Sobre linhas, membranas e fronteiras
Exposição com obras de Cléo Alves Pinto, José Roberto Bassul e Michelle Bastos. Curadoria: Renata Azambuja. Visitação até 28 de maio, de terça a domingo, das 9h às 18h30, na Galeria Térreo do Museu Nacional da República.



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