Brasília-DF,
18/NOV/2017

Espetáculo 'BR Trans' quebra estereótipos sobre as pessoas trans

Depois de ser apresentada ao público de Brasília no Cena Contemporânea, peça 'BR Trans', de Silvero Pereira, ganha temporada no CCBB

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Rebeca Oliveira Publicação:28/04/2017 06:00Atualização:27/04/2017 19:25
Silvero Pereira, ator cearense, também é criador do coletivo As Travestidas
 (Divulgação)
Silvero Pereira, ator cearense, também é criador do coletivo As Travestidas
 
A arte é o caminho mais fácil para mudar a alma das pessoas. É a esse argumento que o ator cearense Silvero Pereira recorre quando lhe perguntam as motivações para, há dois anos, circular pelo país com a peça BR Trans. Mais que um espetáculo, trata-se de um verdadeiro manifesto sobre o respeito a transgêneros.
 
Nomes como Vera Holtz e Caetano Veloso, além de Glória Perez, o elogiaram publicamente pelo texto de tom elucidativo e bem-humorado —  a ponto de a diretora global o convidar para um papel na novela A força do querer.
 
Com estreia hoje no CCBB Brasília (embora já tivesse vindo à cidade no ano passado para o festival Cena Contemporânea), BR Trans exigiu um trabalho prévio de Silvero Pereira. Nascido no interior do Ceará, ele é o criador do coletivo As travestidas, fundado há 17 anos, com o qual faz pesquisas de campo, imersões teatrais e análises do que tange a vida de um transsexual. Foram necessários quatro anos de dedicação para o espetáculo ser concebido.
 
O depoimento e performance de Silvero Pereira, que vive a trans Gisele, ecoa além dos 70 minutos em que a peça é apresentada. “O objetivo é verticalizar esse assunto, gerar debate, tirar estereótipos e caricaturas que ainda possam haver. Em pleno 2017 tivemos cerca de 50 assassinatos de travestis no Brasil. Em vários estados, crimes de transfobia acontecem sem punição alguma. Falamos também sobre a falta de afeto na escola, na família, no mercado de trabalho, na política. São problemas profundos”, adianta o artista e pesquisador.
 
Embora tenha cunho politizado, Pereira emenda que a peça, dirigida pela gaúcha Jezebel de Carli, não se destina a nichos específicos. Urgente e necessária, BR Trans é para todos. “Não é um trabalho de entretenimento. É de resistência. Estamos ligados à luta LGBT, mas não somos panfletários, didáticos. Queremos interferir no individual e no coletivo, provocá-los”, resume.

SERVIÇO
BR Trans 
No Teatro I do CCBB Brasília (Informações: 3108-7600). Hoje e amanhã, às 20h; e domingo, às 19h. Até 21 de maio. Ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Não recomendado para menores de 14 anos.

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