Brasília-DF,
25/SET/2018

Peça 'O imortal' está em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil

Espetáculo é estrelado por Gisele Fróes e dirigida pelos Irmãos Guimarães

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Vinicius Nader Publicação:09/03/2018 06:05Atualização:08/03/2018 17:22
No primeiro monólogo da carreira, Gisele Fróes domina a cena (Ismael Monticelli/Divulgação)
No primeiro monólogo da carreira, Gisele Fróes domina a cena
 
De maneiras diferentes — mas sempre com humor e perspicácia —,  o argentino Jorge Luis Borges tratou da morte em sua obra literária. O tema volta à tona em O imortal, monólogo baseado em conto dele em cartaz até 25 de março no Centro Cultural Banco do Brasil. Sem ser mórbido em nenhum momento, o texto do espetáculo nos diverte e, como em todo bom teatro, nos leva à reflexão.
 
Dona completa da cena, a atriz Gisele Fróes interpreta uma mulher que nos recebe numa espécie de sebo para contar uma história saborosíssima. Sem se exceder nos gestos ou na empostação da voz, Gisele conduz a plateia numa conversa em que a personagem relembra o dia que recebeu de um senhor os seis volumes da Ilíada, de Homero. Dentro do último, havia um manuscrito sobre a busca da Cidade dos Imortais e do rio cuja água quem bebesse se tornaria imortal.
 
Com leveza e destreza, as questões filosóficas da imortalidade estão ali. Seria bom não morrer nunca? Merecemos essa dádiva — ou castigo? O que você estaria disposto a fazer para tê-la? A eternidade é tempo o suficiente para dizimar as mazelas do mundo ou para aumentá-las, já que a população só cresce? “Em 500 anos, a gente passa por muita coisa, vai do índio ao vampiro”, pondera, bem-humorada, a personagem. 
 
O cenário de O imortal é como se fosse um personagem que nos instiga e fascina. Sem palavras faladas, mas repleto de letras, ele é composto por caixas numeradas e livros, vindos da biblioteca particular de Adriano Guimarães. Adriano assina a direção ao lado do irmão, Fernando, e a dramaturgia, em parceria com Patrick Pessoa. Expoentes do teatro brasiliense, os Guimarães não se avexam com a falta de espaços na cidade e, para O imortal, transformam em teatro a galeria 4 do CCBB, mostrando que as artes cênicas da cidade têm um quê de imortalidade.


Serviço 

O imortal
Espetáculo dirigido por Adriano e Fernando Guimarães. Dramaturgia de Adriano Guimarães e Patrick Pessoa. Com Gisele Fróes. Galeria 4 do CCBB. 
Até 25 de março, de quinta a domingo, às 20h. Ingressos a R$ 20 (inteira) e 
R$ 10 (meia). Não recomendado para menores de 16 anos.

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