Brasília-DF,
20/JUL/2018

Releituras pessoais é tema de exposições na Alfinete Galeria

Artistas partem da própria vivência para a arte

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Nahima Maciel Publicação:22/06/2018 06:00

Na terceira fase do projeto, Renata Laguardia pinta casas mais simples (Renata Laguardia/Divulgação)
Na terceira fase do projeto, Renata Laguardia pinta casas mais simples

 

Renata Laguardia partiu de uma experiência pessoal para compor as telas de Estratégia para desafeto, que apresenta na Alfinete Galeria. Ela estudava na França e alugava um quarto em uma casa, mas não se dava bem com a proprietária. Ao procurar outro alojamento, se deparou com as imagens dos espaços vazios em sites.

 

A sensação de não pertencimento, comum ao estrangeiro, e a impessoalidade transmitida pelas fotos levaram a artista a uma série de pinturas sobre as ligações afetivas com o espaço no qual se vive.

 

Depois dos apartamentos vazios, Renata pintou detalhes de imóveis mobiliados. De volta ao Brasil, começou a reconhecer nos objetos que passam despercebidos no cotidiano um certo afeto perdido. 

 

Agora, na terceira fase do projeto, é para os lares mais humildes que ela olha. Ao acompanhar assistentes sociais que visitam famílias muito pobres, Renata conheceu uma situação tocante.

 

"A noção de lar ficou mais pungente para mim", conta. "Antes, eu ficava naquela coisa do sem afeto. Quando você está em outro país, se sente um peixe fora d'água mesmo e com essa experiência (social) pude entrar em uma intimidade e encontrar uma coisa de lar e afeto".

 

São cenas e interiores desses lares que ela agora leva para a pintura. Não quer que os quadros sejam vistos como exploração da pobreza e é na dignidade dessas moradas que ela procura as referências.

 

Crajirú sobre Heineken, que Bia Medeiros apresenta na Alfinete, também nasceu de uma experiência pessoal. Depois de uma viagem de 15 dias pelos rios Tapajós e Arapiuns e da intensa convivência com comunidades indígenas da região, ela voltou com material para preparar a tinta conforme os índios utilizam nos rituais tribais. Sobre versos de caixas de cerveja Heineken, com a mesma tintura indígena usada no Norte, ela passou a pintar seres inusitados. "Essa tinta foi revelando personagens, pintei seres que nunca havia pintado", garante.

 

 

Serviço

Crajirú sobre Heineken

De Bia Medeiros

 

Estratégia para desafeto

De Renata Laguardia

Abertura sábado (23/6), às 18h. Visitação até 21 de julho, quinta e sexta, das 14:30h às 18h, e sábado, das 15h às 20h.

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