Brasília-DF,
10/DEZ/2019

Teatro do Concreto retorna à capital para apresentar peça inspirada nas origens de Brasília

Espetáculo 'Festa de Inauguração' é inspirado em frases escritas por candangos encontradas nas paredes do Congresso Nacional

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Roberta Pinheiro Publicação:30/08/2019 06:01Atualização:29/08/2019 18:33

Frases dos candangos debatem a desconstrução e a construção da nossa história (Thiago Sabino/Divulgação)
Frases dos candangos debatem a desconstrução e a construção da nossa história

 

Após uma temporada em São Paulo, o brasiliense Teatro do Concreto volta a se apresentar na cidade com um espetáculo que nasceu nas origens da capital federal. Frases escritas por candangos, nas paredes do Congresso Nacional, e encontradas anos depois, durante uma manutenção da construção, serviram como estopim para se debater o desmonte das políticas públicas, o silenciamento de grupos minoritários e a própria história da arte.

 

“São frases que falam de afetos, amor, saudade e também do que esperavam que a cidade fosse, o sonho de justiça, de futuro melhor para os filhos. Isso me faz pensar sobre o quanto os desejos e as necessidades da maior parte da população são como aquelas frases ali escondidas, soterradas, não vistas, não ouvidas. Nos fez pensar também sobre todas as narrativas que não entram na História, aquelas da classe trabalhadora, do povo negro, das mulheres, é tanta palavra apagada, soterrada”, explica o diretor Francis Wilker.

 

Festa de Inauguração, com dramaturgia de João Turchi, é a nona montagem do grupo e celebra 16 anos de teatro. “Viajamos o país levando uma paisagem de Brasília que poucos conhecem com o apoio de políticas públicas do DF que eram uma referência no Brasil”, comenta Wilker. Apostando na interação com o espaço, com o público e na performance, o Teatro do Concreto deixa de lado os personagens convencionais. Atores e atrizes são camaleões que passeiam por situações, climas e histórias. “A peça funciona, como disse um crítico de SP, alternando entre ser como um telescópio, trazendo destruições do nosso passado colonial, e, em outros momentos, como um microscópio que foca nossas próprias ruínas e aquelas do grupo”, define o diretor. 

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