Brasília-DF,
19/OUT/2019

'Deixe a luz da varanda acesa' explora afetos e aromas no Espaço Cena

O premiado espetáculo, em cartaz neste final de semana, mostra o reencontro de uma senhora com a filha de sua companheira

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Roberta Pinheiro Publicação:04/10/2019 06:06Atualização:03/10/2019 18:19
Premiada peça 'Deixe a luz da varanda acesa' está em cartaz este fim de semana no Espaço Cena (Diego Bresani/Divulgação)
Premiada peça 'Deixe a luz da varanda acesa' está em cartaz este fim de semana no Espaço Cena
 
Mesmo repleta por móveis, são o reencontro e o afeto das personagens Rita, uma senhora de 60 anos, e  Verônica, filha biológica de sua companheira, que preenchem a cena da peça Deixe a luz da varanda acesa. O premiado espetáculo está em cartaz, este fim de semana, no Espaço Cena.

Em meio a objetos, aromas e memórias da casa, as personagens compartilham experiências até então desconhecidas. Ao extrapolar o padrão normativo de laço familiar, são o afeto e as emoções que costuram as histórias, conflitantes em alguns momentos. No enredo, temas como família, saudade e preconceito são pontuados.

Com dramaturgia de Áurea Liz e direção de Gelly Saig e Ernandes Silva, a peça, que conquistou os prêmios de Melhor Atriz e Melhor Espetáculo do II Festival de Teatro de Bolso, sensibiliza o público. Baseada na estética sensorial, Deixe a luz da varanda acesa aposta que a recordação é o perfume da alma.
 

Quatro perguntas para a dramaturga de Áurea Liz:

 

Como surgiu a ideia de escrever Deixe a luz da varanda acesa?

Não é autobiografia. A imagem surgiu assim: sempre, quando eu ia para a faculdade ou o teatro, deixava meus filhos na casa da minha mãe. Quando ela adoeceu, um dia, fui deixá-los e a luz da varanda da casa estava acesa. Mas minha mãe nunca deixava acesa. Quando entrei na casa, minha irmã falou ‘que bom que você entrou, porque a mamãe não está passando bem’. Ou seja, a luz acesa era para eu saber que ela estava passando mal, foi um código que ela usou. Sabia que se eu visse acesa eu saberia. A partir dessa imagem, é que eu criei dois personagens: a Rita e a filha da companheira dela que morreu, a Verônica.
 

A Verônica havia saído de casa por não aceitar o relacionamento da mãe com Rita. Trabalhar com uma relação homoafetiva foi proposital?

Queremos falar de amor de uma forma natural e não criar uma coisa sobrenatural em relação ao amor de duas mulheres que nem estão em cena. Quero falar de amor, da forma mais simples possível que não choque as pessoas. E todas as pessoas que vão assistir saem tocadas. Não é algo que agrida a moral e os bons costumes. Aquelas três pessoas são uma família. Isso é natural e existem várias outras famílias constituídas daquelas mesma forma. Em cena, existe mágoa e alegria. Existe tudo como em uma vida normal. 
  

Por que falar de amor?

Nesses momentos de tanta dureza e crueldade, por que não falar de amor sempre? Não só falar, mas aceitar o amor de forma natural. O amor que eu falo é universal, não é homoafetivo especificamente. No mundo que a gente vive, de tanta intolerância, é urgente se falar de amor
 

Assim como a cenografia e os aromas, a música tem um papel especial na peça, certo?

A trilha sonora original foi desenvolvida pelo meu filho, Vitor Barbosa, e faz parte de ambientação do espetáculo. Além disso, tem uma música da cantora Moara, Aliviar, que é uma carta lida e cantada em cena. 
 

Serviço

Deixe a luz da varanda acesa
No Espaço Cena (CLN 205, Bloco C, Loja 25). Sexta, sábado e domingo (4, 5 e 6/10), às 20h. Dramaturgia de Áurea Liz e direção de Gelly Saig e Ernandes Silva. R$ 10 (meia) e R$ 20 (inteira). Classificação indicativa livre.

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