Brasília-DF,
10/DEZ/2019

Oficina teatral para pessoas acima de 55 anos revela talentos desconhecidos

Ator, diretor e professor Tullio Guimarães promove o projeto há quase 20 anos

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Roberta Pinheiro Publicação:15/11/2019 06:01Atualização:14/11/2019 20:38

Tullio Guimarães, idealizador da oficina, também é ator e diretor (Sartotyi Sartoryi/ Divulgação)
Tullio Guimarães, idealizador da oficina, também é ator e diretor

 

Em troca do elixir da vida, do prolongamento indeterminado da existência humana, os personagens no palco optaram por viver o próprio tempo, por testemunhar os acontecimentos e envelhecer com dignidade. A trama integra o enredo do primeiro texto escrito pelo ator, diretor e professor Tullio Guimarães para um grupo de teatro da terceira idade. Contudo, também resume a vontade de viver e se expressar artisticamente encontrada por Guimarães no decorrer de quase 20 anos do grupo Viva a Vida.

 

Tudo começou com um convite na trajetória artística de Guimarães que, de imediato, imaginou um desafio. Afinal, pouco se trabalha no teatro com pessoas acima de 55 anos. No decorrer do processo, compartilhando experiências e histórias, o obstáculo se transformou em presente: para ele, para a plateia e, principalmente, para os protagonistas. “É minha paixão”, resume Terezinha Alves de Carvalho, 80 anos. Depois que se aposentou da Administração de Brasília, ela procurava uma atividade que lhe preenchesse não apenas o tempo, mas trouxesse amigos e alegria: “e no fim ainda recebemos aplausos”, acrescenta.

 

Há 19 anos, Terezinha descobriu a oficina de Iniciação Teatral para pessoas acima de 55 anos, ministrada por Guimarães e o Grupo Viva a Vida. “Tem toda a seriedade dos ensaios, mas tem brincadeira, tem briga, fazemos amigos, é uma confusão”, conta aos risos. Entre as encenações preferidas, a aposentada destaca a Volta ao mundo, na qual dançou cancã e músicas de Carmen Miranda, e a A árvore da memória, que retratou a realidade da doença de Alzheimer. 

 

Alunos se entregam ao teatro (Robson G. Rodrigues/Esp. CB/ DA Press)
Alunos se entregam ao teatro
 

 

Nem todos estão no grupo desde o início, alguns fazem apenas um semestre, e outros, como Terezinha, continuam revelando uma veia artística até então não descoberta. “É um trabalho de arte e inclusão, resgatamos a autoestima das pessoas, trabalhamos aspectos físicos, a técnica vocal, a memorização de texto. Faz bem para a saúde e possibilita um bem-estar maior. Eles começam a enxergar que têm potencial com o mesmo rigor estético e devolvem tudo o que eles têm de sabedoria”, detalha Guimarães.

 

Em quase 20 anos, vivências não faltam e 17 textos foram encenados em teatros de Brasília e de Pirenópolis. De atores anônimos, ganham brilho de estrela. Mas iluminados não pelos holofotes do palco, mas pelas novas descobertas e aprendizados. "Faço teatro profissionalmente há mais de 30 anos. A oportunidade de trabalhar com esse segmento foi um presente que a vida me deu. Eles me trouxeram o que é importante dentro da profissão do artista, que é fazer por amor e com amor. É uma possibilidade de dar visibilidade para quem estava na invisibilidade inclusive pela própria família. Agora, eles têm coragem de se expor e me devolvem saúde, amor, sabedoria e humildade”, finaliza o diretor.

 

Serviço

Oficina de Iniciação Teatral para pessoas acima de 55 anos / Grupo Viva a Vida

Terças e quintas-feiras. Das 9h às 11h na Faculdade Dulcina de Moraes. Contato: (61) 99905-3941 — Prof. Tullio Guimarães.

 

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