Brasília-DF,
26/SET/2020

Projeto de dança estimula a felicidade em pessoas da melhor idade

Com mais de 60 anos de idade, alunos descobrem os prazeres e os benefícios da dança e fazem amigos

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Devana Babu* - -- Publicação:22/11/2019 06:01

O professor Cesar Cipriano e a aposentada Ivany Yepes
 ( Lucas Pestana/Esp. CB/D.A Press)
O professor Cesar Cipriano e a aposentada Ivany Yepes

Nem o fato de ter quebrado a perna no baile, na semana anterior, fez Beatriz Pinto de Oliveira Mercadante Vilar sossegar em casa, em vez de ir para a aula de dança. “Eu fiquei com raiva quando o médico falou para ficar 10 dias de repouso, por causa da musculatura. Mas se deixar...”, ameaça. A moradora de um condomínio próximo dali frequenta as aulas da Escola de Dança Cesar Cipriano, no Jardim Botânico, semanalmente, e garante que a dança só lhe faz bem.

 

“Acho que a dança dá um condicionamento físico, como se fosse uma aeróbica. Fora isso, a gente lida com a música, que faz bem pro cérebro. A musculatura fica boa, cria resistência”, Beatriz enumera. E os benefícios que ela sente no corpo, na alma e na mente, a professora Marisete Peralta Safon, da Faculdade de Educação Física da Universidade de Brasília (UnB), vê há mais de duas décadas no desenvolvimento de seus alunos, maiores de 60 anos, para quem dá oficinas de dança há 22 anos.

 

“Não só se trabalha a questão da capacidade cardiovascular como também a questão da coordenação motora e do equilíbrio. Cada ritmo exige uma coordenação”, explica a professora. “Além disso, a gente sabe que a música repercute muito no estado de humor, melhorando a condição social, ampliada quando se faz coisas em grupo. Há o contato físico, porque se trabalha com um par. Você tem de ceder um pouco para permitir que o parceiro dance também”, complementa.

 

Beatriz, que não sabia de nada disso até ler, aos 73 anos, uma revista com informações parecidas, se inscreveu para as aulas há três anos e atesta: “Quando comecei a dançar, achei que não conseguiria fazer os passos, não tinha coordenação nenhuma. Tem passos de bolero e de forró que são difíceis, e a gente vai assimilando, então, isso é bom pra mente da gente”, diz ela, que garante ser capaz de dançar até cinco horas no baile semanal da escola e não perde uma aula sequer.


Idade sim, velhice não!

 

Fundador e professor da escola de dança de salão que leva seu nome, Cesar Cipriano começou em 2010 a promover, quinzenalmente, um baile para seus experientes alunos e amigos, no Hotel Nacional. Ele conta que começou tirando boa parte das cadeiras do restaurante, cujo espaço achou aconchegante, e que hoje é preciso tirar todas as mesas e cadeiras e colocá-las do lado de fora. Em suas aulas, ele não faz distinção de idade e mistura jovens e adultos em uma dança só.

 

“Eu sou contra esse conceito de fazer ‘turma da terceira idade’. A gente separa e eles deixam de conviver”, alerta Cipriano, que também não é muito fã do termo. “Ninguém aqui é velho, aqui não tem velhice. Idade sim, velhice não!”, concorda Beatriz, que fez muitos amigos na turma, que se encontra de vez em quando em um bar da região, e que se descreve assim: “Eu tenho 76 anos, mas minha cabeça é de 15 e a disponibilidade é de 30!”

 

*Estagiário sob a supervisão de Igor Silveira

 

 

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