Brasília-DF,
27/SET/2020

Antônio Nóbrega homenageia Ariano Suassuna com recital

Com violão e violino, Nóbrega apresenta espetáculo que une música e poesia

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Nahima Maciel Publicação:22/11/2019 06:00Atualização:22/11/2019 11:08
O multiartista Antônio Nóbrega apresenta 'Recital para Ariano Suassuna' (Woofler Photografia/Divulgação)
O multiartista Antônio Nóbrega apresenta 'Recital para Ariano Suassuna'
 
Recital para Ariano Suassuna nasceu de forma meio inusitada. Pouco antes de morrer, em 2014, o autor de O romance d’A pedra do reino completava um ciclo de aulas-espetáculos cujo encerramento estava programado para ser feito no Teatro Municipal de São Paulo. Suassuna morreu antes de concluir o ciclo, e Antônio Nóbrega, companheiro de Quinteto Armorial por décadas, foi convidado para completar o programa. Ele criou, então, uma espécie de homenagem ao amigo de vida inteira que acabou se transformando em um espetáculo apresentado pelos palcos do Brasil desde então. A Caixa Cultural recebe hoje o Recital, um pequeno show no qual Nóbrega, munido de violão e violino, ensaia um diálogo com Suassuna por meio de verso e prosa.

Com poemas, trechos de livros e restos de conversas travadas com o amigo, Nóbrega criou um roteiro que recupera o universo de Suassuna. “São poemas que, de alguma maneira, me tocaram e sensibilizaram, que me geraram interesse em cantar e musicar. São narrativas em versos de histórias que, normalmente, têm um caráter dramático poético. E eu contenho uma vocaçãozinha para cantar dramatizando, representando”, admite.

Muitos dos versos do recital foram extraídos da poesia e da prosa de Ariano, mas Nóbrega admite também ter mergulhado na memória para lembrar de conversas inspiradoras. Assim, criou, por exemplo, A donzela guerreira, canção inspirada em Grande sertão: veredas, de João Guimarães Rosa. “Conversávamos muito sobre Guimarães Rosa”, conta. “Esse quadro de afeto literário, de alguma maneira, me referenciou.” No recital, Nóbrega também quer incluir algumas músicas de Rima, disco recém-lançado e cheio de criações inspiradas pela convivência com Suassuna.

Nóbrega trocou Pernambuco por São Paulo em 1983, o que rareou a convivência com Suassuna, intensa, principalmente, nos anos 1970, durante as temporadas do Quinteto Armorial. No papel de mestre de cerimônias, o escritor introduzia o público ao mundo da cultura popular, contava histórias e comentava. Durante os ensaios, geralmente feitos na casa de Suassuna, artistas de todas as áreas eram convidados a dar opinião. Nóbrega ficava fascinado. “Eu me alimentava disso. Funcionava, para mim, quase como uma universidade aberta”, lembra. Suassuna pedia que o Brasil olhasse e valorizasse a produção tradicional e popular para, com ela, criar o novo.

Hoje, Nóbrega acredita que o país ainda não entendeu a mensagem do criador de O auto da compadecida. “Estamos mal”, observa. “Ariano sucede uma corrente de pensamento na filosofia onde estão Mario de Andrade e Darcy Ribeiro, criadores que, além de referenciarem suas obras e terem no popular uma das vertentes referentes, foram ativistas culturais, ocuparam cargos de gerenciamento cultural, então mantinham um ativismo no sentido de apresentar o Brasil e trazer à tona elementos que normalmente ficam sob o manto de coisa folclórica”.

Serviço
Recital para Ariano Suassuna

Caixa Cultural Brasília (SBS, Q. 4, lts. 3/4). Nesta sexta (22/11) e sábado (23/11), às 20h; e no domingo (24/11), às 19h. Ingressos: R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada). Não recomendado para menores de 10 anos.

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