Brasília-DF,
16/DEZ/2019

Três exposições chegam ao Museu Nacional com obras diversificadas

Exposições 'Simbólico sagrado', 'Pensar o Jogo' e 'Doações 2019' exibem obras de Mestre Didi e Rubem Valentim, Almandrade e outros artistas

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Nahima Maciel Publicação:22/11/2019 06:07Atualização:21/11/2019 20:02
Obra de Rubem Valentim da exposição 'Simbólico sagrado' (Rubem Valentim/Divulgação)
Obra de Rubem Valentim da exposição 'Simbólico sagrado'

 
O Museu Nacional da República recebe um conjunto de três exposições que vão do acervo da própria instituição até uma reunião de obras de Almandrade e de Rubem Valentim. Na galeria principal, a curadora Thaís Darzé reuniu 95 peças de Valentim e Mestre Didi em Simbólico sagrado, um diálogo com foco na herança cultural africana.

Contemporâneos e expoentes de uma mesma geração, Mestre Didi (1917–2013) e Rubem Valentim (1922-1991) tiveram histórias de vida muito distintas, mas tocam num mesmo ponto da produção artística brasileira. "Eles têm objetivos muito similares, que é o de preservar, difundir e elevar o legado de povos africanos na diáspora no Brasil", explica Thaís. "A fonte de ambos os artistas é o simbolismo de natureza africana, as armas e os instrumentos utilizados pelos orixás. Esse é o ponto de partida do vocabulário de ambos. A gente propõe um olhar crítico para esse sagrado. Os artistas envolvidos com essas poéticas foram reduzidos ao campo do sagrado como algo místico, mágico, e se negligenciou a força política e de resistência que o sagrado exerce até hoje para a manutenção da cultura dos povos africanos no Brasil." Para reunir as 95 obras, Thaís contou com colecionadores privados de Salvador, São Paulo e Brasília.

A Galeria Acervo recebe Pensar o Jogo, uma celebração dos 45 anos de carreira de Almandrade com uma seleção de 80 obras, realizada pela curadora Karla Osório. "Entre a geometria e o conceito, entre a forma e a palavra, entre o rigor espacial e a poesia. Assim caminha a obra de Almandrade, expoente baiano da arte conceitual e, hoje, um dos grandes nomes das artes visuais brasileiras, com produção respeitada nos principais circuitos de arte do país e reconhecida internacionalmente", explica Karla, que representa o artista na cidade e intermediou a doação de uma escultura de Almandrade para o acervo do Museu Nacional.

Almandrade é um dos grandes expoentes da arte conceitual brasileira. Baiano, traçou um curso um pouco solitário no estado natal devido ao engajamento na arte concreta e conceitual nos anos 1970, mas foi reconhecido por nomes como Décio Pignatari e Helio Oiticica, alguns dos pilares do movimento. "Seu trabalho, iniciado em meio ao vigor criativo que marcou o movimento artístico na década de 1970, tem um traço muito particular: representa a própria universalidade da arte, alternando-se entre a estética construtivista e a arte conceitual e experimental. Na Bahia, foi solitário no seu engajamento à arte concreta e conceitual", diz Karla Osório.

Acervo próprio


O espaço do Mezanino do Museu Nacional ficou reservado para Doações 2019, reunião de obras doadas à instituição ao longo deste ano. "O Museu Nacional da República, que, como todo museu brasileiro, não tem política de aquisição e, portanto a formação de um acervo coeso recebeu doações de peso durante o ano corrente", avisa Charles Cosac, diretor do museu. Entre os destaques, ele cita um lote de 140 obras doadas por Karin Lambrecht, artista brasileira de origem alemã, hoje radicada na Inglaterra, e um conjunto de gravuras e matrizes de Fayga Ostrower doados pelos herdeiros da artista.

Um quadro de Marcelo Solá e uma fotografia da performance Imperatriz, da artista trans Élle de Bernardini, ambos doados graças à intermediação de Karla Osório, também integram a exposição. Cosac explica que não tentou criar nenhuma coerência curatorial para a exposição nem pensou na diversidade da produção da arte contemporânea. "Elas (as obras) estão juntas simplesmente porque foram doadas no mesmo ano", avisa o diretor, que pretende realizar, a cada ano, uma mostra das doações recebidas pela instituição. "Espero que, com essa exposição, que ocorrerá anualmente até dezembro de 2022, o museu receba ainda mais doações e denote a transparência com a qual elas são recebidas", diz.

Serviço

Exposições

Simbólico sagrado 
Com Mestre Didi e Rubem Valentim. Curadoria: Thais Darzé

Pensar o Jogo
Mostra individual de Almandrade. Curadoria: Karla Osorio e o artista

Doações 2019
Curadoria: Charles Cosac. 

Visitação até 19 de janeiro, de terça a domingo, e aos feriados, das 9h às 18h30, no Museu Nacional da República (Setor Cultural Sul, Lote 2 Esplanada dos Ministérios)

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