Brasília-DF,
28/JAN/2020

'Coisa de viado' tira o véu de temas como diversidade sexual e de gênero

Espetáculo baiano desbaratina expressões pejorativas e celebra a diversidade com muita purpurina

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Roberta Pinheiro Publicação:06/12/2019 06:06Atualização:05/12/2019 19:25
Espetáculo baiano tira véu de temas como diversidade de gênero, transexualidade e invisibilidade lésbica, com foco étnico/racial (Luis Sacramento/Coisa de Viado/Divulgação)
Espetáculo baiano tira véu de temas como diversidade de gênero, transexualidade e invisibilidade lésbica, com foco étnico/racial
 
 
"Quem não é respeitado com ternos e gravatas?", questiona o diretor e dramaturgo Eugênio Lima. Em cena, ele dirige sete atores que, apesar da alfaiataria, estão enfaixados. "Para mostrar que estão em situação de vulnerabilidade", explica. No decorrer da narrativa, contudo, as faixas cedem lugar para o brilho, o colorido e a alegria. Ao contrário da frase 'viado quando morre vira purpurina, falamos em viado quando vive é que vira purpurina. Já passou da hora de abrir o diálogo de questões de tolerância, de respeito, de amor, da vida plena dos direitos que são negados. Nosso intuito é que as pessoas saiam pensando que é possível viver com o outro na integralidade do que ele é", pontua.

De Salvador, a montagem Coisa de viado tem como proposta tirar o véu de temas como diversidade de gênero, transexualidade, lgbtfobia, homoafetividade, invisibilidade lésbica, com foco étnico/racial. 

A trama nasceu de vivências reais e cotidianas. O grupo integra uma ONG baiana — a Bumbá Escola de Formação Artística. "Diante do que vimos e vivemos, começamos a pensar como poderíamos tratar dessa questão mediante o cenário da cidade e do país e que afetava diretamente os jovens", relembra Lima. A partir de questionamentos, pesquisas e dos relatos de opressão e ‘brincadeiras’ pejorativas construiu-se a narrativa da peça. "Os textos são muito políticos e densos. Alguns são improvisados, outros da internet e também utilizamos escritos da Linn da Quebrada. Contudo, toda a opressão chega para o público de acordo com o universo LGBT, com muito aroma, muita alegria, muita lacração", descreve o diretor.

Ao encenar estigmas e opressões vividos por gays, lésbicas e trans negras, a produção abre um canal de comunicação imediato com o público, sem deixar de lado uma experiência sinestésica de aroma, figurino e teatro. "A nossa vontade de trazer o espetáculo para Brasília veio pelo momento de retrocessos que estamos vivenciando no país, e nada melhor que trazer a denúncia à capital do Brasil. Essa justificativa nos ajudou a aprovar o projeto no edital de cultura do governo da Bahia, que tenta resistir com a falta de recursos federais no Nordeste", conclui Roberto Júnior, produtor da peça.

Serviço

Coisa de Viado
Samambaia Sul. Sexta-feira (6/12) e sábado (7/12), no Imaginário Cultural (QS 103, Cj. 5, Lt. 5), e domingo (8/12), no Complexo Cultural de Samambaia (Centro Urbano, Qd. 301 cj. 5), sempre às 17h e às 20h. Espetáculo de Eugênio Lima com elenco da ONG baiana Bumbá Escola de Formação Artística, sobre diversidade de gênero, transexualidade e invisibilidade lésbica, com foco étnico/racial. Ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada). Não recomendado para menores de 12 anos.


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