Brasília-DF,
16/OUT/2018

Peça Navalha na carne tem metáforas sobre a estrutura das relações

Criada por Plínio Marcos, o texto foi escrito em 1967 e, por 13 anos, durante a ditadura militar, foi proibida.

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Paula Bittar, Especial para o Correio Publicação:12/12/2014 06:55Atualização:11/12/2014 17:28
Montagem brasiliense é resultado de três anos de estudo da obra do dramaturgo
 (Daniel Fama/Divulgação)
Montagem brasiliense é resultado de três anos de estudo da obra do dramaturgo

As palavras cortam como se fossem lâminas afiadas os ouvidos atentos do público. Assim, apresenta-se a obra do dramaturgo Plínio Marcos, Navalha na carne. A peça foi escrita em 1967 e, por 13 anos, durante a ditadura militar, foi proibida. Entre tantas peças que o autor deixou, é a mais encenada até hoje.

Sob a direção de Júlio Cruccioli, a história que se passa em um quarto de bordel está de volta. Em um único ato, os personagens dão forma ao caos da trama que os envolve. O texto ressalta o conflito subumano, marginalizado e sem pudores entre Neusa Sueli, a prostituta; Vado, o cafetão; e Veludo, o serviçal astuto do prostíbulo.

“O cenário foi pensado para traduzir o ambiente enfermo. A doença está ali, mas não se cura nunca. O texto tem uma força que não é marcada pela temporalidade. Não perde a sua essência. Acredito que, quando o escreveu, o autor não imaginava que seria uma narrativa tão duradoura. É uma questão de doença social e isso não acaba de um dia para o outro. De olhos fechados ou de costas, o público consegue entender a mensagem”, afirma Cruccioli.

A montagem brasiliense traz no elenco Meny Vieira, Márcio Andrade, Ronaldo Saad e participação especial de Tássia Oliveira. O estudo do texto do consagrado autor começou há três anos. Mesmo sem patrocínio, os atores conseguiram concretizar o trabalho cênico. Um dos objetivos do projeto é a releitura e a popularização de uma das obras mais significativas do autor. “Meu primeiro contato com esse texto foi há 25 anos. É uma peça que pensei em um dia montar por ser um texto interessante e forte”, conta Júlio, que também assina a cenografia.

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