Brasília-DF,
18/JUN/2018

Musical 'Galanga Chico Rei' parte do folclore para falar sobre religião

Maioria das canções do espetáculo são compostas por Paulo César Pinheiro

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Rebeca Oliveira Publicação:11/09/2015 07:02

A cultura afro-brasileira permeia espetáculo em cartaz no Teatro da Caixa ( Irene Nobrega/Divulgação)
A cultura afro-brasileira permeia espetáculo em cartaz no Teatro da Caixa
 

Cores e cantos tradicionais se encontram no espetáculo Galanga Chico Rei, peça musicada que lança luz sobre uma das lendas do congado mineiro. O texto remonta a vida de Chico, rei de uma tribo do Congo que virou herói no Brasil e deu origem à tradição que, no país, encontra força em diversos estados, com destaque para Minas Gerais e Goiás.

Em Brasília, essa tradição popular será celebrada com elenco que mescla congadeiros, atores, dançarinos e músicos, o que confere maior veracidade e vigor ao musical. O público conseguirá perceber como é o ambiente da festa do Reinado da Nossa Senhora do Rosário, ou festa do Congo, realizada entre julho e outubro em diversas cidades do país.

Instrumentos como cuíca, pandeiro, triângulo, sanfona e reco-reco entram em cena. Ajudar na compreensão das heranças africanas é um dos objetivos do musical — que vai em sentido contrário ao discurso que prega a intolerância religiosa e o preconceito contra religiões de raízes na África.
Segundo Titane, diretora musical de Galanga Chico Rei, mais que narrar a história do rei lendário, a peça homenageia e guarda a memória dos negros que foram escravizados no Brasil. "É uma festa com características muito fortes, decorrentes do que a negritude que compõe a população mineira fez no passado. A grande maioria era de bantos. Segundo diz o antropólogo Edmílson de Almeida, eram homens de temperamento reflexivo, introspectivo, ao contrário do negro extrovertido que chamou a atenção do ocidente", explica.

A festa popular, que toma as ruas do país, mistura heranças africanas ao catolicismo. Mas a peça, acrescenta Titane, é feita para todos e não exclui quem professa outra fé. "É uma peça genuína e generosa e que acolhe todas as pessoas. Torna-se um espaço de construção e troca de conhecimentos, profundamente ligados a nossa identidade como brasileiros, filhos de um conflito étnico-racial, o que vai além de uma miscigenação de raças", pontua a diretora.

Especialista em ritmos tradicionais afro-brasileiros, o carioca Paulo César Pinheiro assina o texto e sete das 10 composições inéditas da apresentação. O responsável pela direção é João das Neves, congadeiro com profunda relação com a cultura-afro, presente em vários momentos fundamentais do teatro brasileiro.

Serviço
Galanga Chico Rei
Espetáculo musical com direção de Titane. Hoje, às 20h; amanhã, às 17h e às 20h; e domingo, às 16h e às 19h. Na Caixa Cultural Brasília (SBS, Qd. 4, Lts 3/4). Ingressos a
R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). Não recomendado para menores de 12 anos.

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