Brasília-DF,
24/SET/2017

Vale a pena ver de novo?

Autores insistem na tática do %u201Cquem matou%u201D para conquistar audiência em tramas que não deram certo. A bola da vez é Murilo, de Babiolônia

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Vinicius Nader Publicação:16/08/2015 07:05Atualização:14/08/2015 18:34

Matheus, interpretado por Bruno Gagliasso (Globo/Alex Carvalho
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Matheus, interpretado por Bruno Gagliasso
 

Quando uma novela está patinando na audiência, um dos artifícios mais utilizados para prender a atenção do público é o batido – e muitas vezes injustificável – “quem matou?”.

Com Babilônia não será diferente. Em sua reta final, a trama das 21h da Globo se livrará de um dos personagens mais incoerentes do roteiro: Murilo, vivido por Bruno Gagliasso.

O ex-cafetão foi assassinado, em cena programada para sexta passada, a golpes de um furador de gelo. A lista de suspeitos inclui desde os improváveis mocinhos Vinicius (Thiago Fragoso) e Regina (Camila Pitanga) a nomes menos inimagináveis, como Beatriz (Glória Pires), Inês (Adriana Esteves) e Cris (Tainá Müller). O desfecho, como não poderia deixar de ser em tempos de redes sociais atentas, deverá ser gravado apenas no dia da exibição do último capítulo, 28 de agosto.

O maior problema do assassinato de Murilo não é o crime em si. Mas, sim, o uso da morte dele para tentar fazer com que o que ainda resta de público da novela não troque de canal.

Uma cortina de fumaça (de gelo seco, no caso) que apaga as várias falhas de Babilônia, na qual o autor Gilberto Braga mudou o rumo e o caráter de vários personagens no meio do caminho. Vale a pena ver de novo o mesmo truque usado deliberadamente em outros fracassos como Insensato coração e Celebridade, duas tramas do próprio Braga que também tiveram seu “quem matou” questionados?

Casos bem-sucedidos

A questão é que ninguém hoje se pergunta quem era o assassino de Norma (Gloria Pires) ou Lineu (Hugo Carvana) nas tramas anteriormente citadas. Mas houve casos, sim, que o país queria saber quem havia sido o assassino na novela da época. O que demonstra que, quando bem pensado, o mistério é bem aceito pelo público e pela crítica e não toma jeitão de tapa-buraco.

 (Arquvo/TV Globo
)
Foi o que aconteceu no mais famoso deles: o assassinato de Odete Roitman (Beatriz Segall) em Vale tudo. Ou quando Salomão Hayala (Dionísio Azevedo) foi liquidado em O astro.

Em O rebu, o crime ocorria numa das primeiras cenas e, como num flashback, a novela se desenrolava. Curiosamente O astro e O rebu ganharam recentes remakes e Vale tudo bateu recordes de audiência em sua reprise no canal Viva, ano passado. Prova de que a curiosidade do público não precisa ser posta à prova e, sim, a criatividade dos autores. Murilo foi assassinado com um furador de gelo. Quem será que matou o ex-cafetão?

Os suspeitos de matar Murilo:

Alice (Sophie Charlotte)
Beatriz (Glória Pires)
Cris (Tainá Müller)
Diogo (Thiago Martins)
Inês (Adriana Esteves)
Regina (Camila Pitanga)
Vinicius (Thiago Fragoso)
Wolnei (Peter Brandão)

Matador

Gilberto Braga gosta de lançar mão do recurso em suas tramas, mas nem sempre acerta. Das cinco tramas que assinou nos anos 2000, três tiveram seus assassinatos: Celebridad(2003), Insensato coração (2011) e, agora, Babilônia. Isso sem falar no megasucesso Vale tudo, parceria dele com Aguinaldo Silva.

Mudança de lado

 (Estevam Avellar/Divulgação)
Glória Pires pode mudar de lado e, de vítima passar a ser culpada do crime. Isso porque em Insensato coração a personagem dela, Norma, era assassinada pela sogra, vivida por Natália do Valle.

Em sequência

Em 1995, Silvio de Abreu inovou e fez um grande “quem matou?” em A próxima vítima. A novela girava em torno da solução de uma série de crimes que atingiu diversos núcleos do folhetim. Ao todo foram 10 mortes. Somente no fim da trama, ficamos sabendo que Adalberto (Cecil Thiré - foto) era o responsável pelos óbitos.

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